sexta-feira, 2 de agosto de 2024

RONES TADEU DUMKE: "O veio de Ouro"

 


Rones Tadeu Dumke foi um importante desenhista e pintor brasileiro. Tendo iniciado seu trabalho dentro dos parâmetros do classicismo, conseguiu destaque entre os novos artistas paranaenses na década de 70, sendo considerado pela crítica e professora de arte Adalice Araújo “um dos mais autênticos representantes da Pintura Culta no Brasil”. Nas décadas seguintes, percorreu outras vertentes e variadas técnicas, do desenho e da pintura ao abstracionismo e à colagem. Baseado na força da cultura clássica, na literatura e no cinema, manteve sempre em sua obra uma referência ao surrealismo. Participou de exposições no Brasil e no exterior. Além de desenhos e pinturas, fez cenografia, cartazes e murais.
Nascido em Curitiba em 1949, Rones Tadeu Dumke emerge como destaque na geração de jovens artistas que renovam a pintura paranaense na década de 70 e que inclui nomes como Carlos Eduardo Zimmermann, Rubens Esmanhotto, Osmar Chromiec e Bia Wouk.
Autodidata, o artista recebe os primeiros ensinamentos do pai, Lourival, que teve estudos com o pioneiro da pintura no Paraná, o norueguês Alfred Andersen. Mas é pelo esforço da mimese, pela cópia infatigável das imagens interessantes que lhe aparecem, que ele consegue aprender, refinar o traço e obter o desenho clássico que o aponta como virtuose. Nisso é ajudado pela curiosidade e fome de cultura que o levam a estudar, além dos fundamentos da pintura, as artes da literatura, do cinema e da música.
Nesse início, Rones volta-se para um classicismo que evoca visões de formas calcadas na estatuária grega sob o filtro dos pré-rafaelitas ingleses, em obras influenciadas pelo surrealismo.
Nos anos seguintes, pinceladas da belle époque e do cinema dos anos 20 e 30 são visíveis em suaves ombros femininos, olhos maviosos e cabelos esvoaçantes. Mas as colunatas helênicas a se desmanchar podiam ter em sua frente uma moça moderna, de óculos escuros.
Se a musa ostenta, às vezes, um véu de mistério renascentista contra um fundo de edifícios antigos, o discurso pictórico amplia-se na representação de Eros, na sexualidade às vezes indefinida de adolescentes num campo. A paisagem muda, um ambiente pastoril acolhe as jovens figuras que tudo olham, vêem, meditam.
Para Adalice Araújo, “suas personagens, jovens contemporâneos, que usam jeans, são os mesmos efebos helênicos do Classicismo Greco-Romano, do Renascimento italiano ou do Neoclassicismo do século XIX, colocados no universo suspenso de um tempo indefinido”.
Mas trata-se de um pensador contemporâneo a manejar o crayon e o pincel, em constante evolução.
O esmero do acabamento, seus traços clássicos e sua obsessão com a perfeição criam para Rones o conceito de grande desenhista. Assim, é uma surpresa quando deixa de lado o desenho que o consagrou e parte para rumos inteiramente diferentes. A sua mão não busca mais recriar a figura humana. Isso se dá de outros modos. Rones Dumke foi precursor do Surrealismo no Brasil.
OTÁVIO DUARTE em "Veio de Ouro"

Um comentário:

Alfeo Viero Filho disse...

Mais do que um movimento estético, o surrealismo é uma maneira de enxergar o mundo, uma vanguarda artística que transcende a arte. Busca restaurar os poderes da imaginação, castrados pelos limites do utilitarismo da sociedade burguesa, e superar a contradição entre objetividade e subjetividade, tentando consagrar uma poética da alucinação, de ampliação da consciência. Breton declara no Primeiro Manifesto sua crença na possibilidade de reduzir dois estados aparentemente tão contraditórios, sonho e realidade, "a uma espécie de realidade absoluta, de sobre-realidade [surrealité]". O surrealismo se auto define como a cronica dos sonhos, se antigamente o mundo dos sonhos invadia a realidade , depois do advento da informatizacao nos anos 80 podemos dizer que a realidade invade sem piedade o mundo dos sonhos, a esta corrente estetica denominamos pos modernismo. Este movimento, que também pode ser chamado de pós-industrial ou financeiro, predomina mundialmente desde o fim do Modernismo. Ele é, sem dúvida, caracterizado pela avalanche recente de inovações tecnológicas, pela subversão dos meios de comunicação e da informática, com a crescente influência do universo virtual, e pelo desmedido apelo consumista que seduz o homem pós-moderno. O Homem pós-moderno habita em um universo imagético, repleto de signos e ícones, privilegiados em detrimento dos objetos; a simulação substitui a realidade, e elege-se o hiper-realismo -- também conhecido como foto-realismo, e que pretende transpor para o universo das imagens uma realidade objetiva -- como expressão máxima da contemporaneidade e das incertezas humanas.

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