segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Medo do fim :.




Como pessoas inteligentes creem numa besteira dessas, após centenas de profecias apocalípticas na história?

SEGUNDO AS profecias que andam aterrorizando uma boa fração da população mundial, esta será minha última coluna. Sexta-feira, dia 21, o mundo acaba. Venho recebendo dezenas de mensagens de pessoas visivelmente preocupadas, achando que desta vez é pra valer, que não temos como escapar. Leitores, podem se acalmar. Garanto que sexta-feira, dia 21, será apenas mais um solstício de verão, o dia mais longo do ano. No sábado de manhã, você estará tomando seu café tranquilamente, com um sorriso nos lábios, convencido de que essa história de profecia de fim de mundo é mesmo uma bobagem. Tudo será devidamente esquecido e a vida continuará como antes. Pelo menos, até a próxima profecia. No caso dessa, o calendário maia recomeça a cada 13 "baktuns", e cada ciclo tem 5.126 anos. O calendário maia foi iniciado no dia 13 de agosto de 3114 a.C. É apenas o fim de um ciclo e o começo de outro, típico de culturas que acreditam num tempo circular, ao oposto da nossa, na qual o tempo é linear, com apenas um começo e um fim. Nenhum tablete de barro ou papiro misterioso prevê o fim do mundo. Ao contrário, os pouquíssimos documentos que sobreviveram à dilapidação tropical e ao fanatismo dos padres espanhóis, que queimaram tudo o que encontraram, não oferecem qualquer indicação de fim de mundo. O mesmo ocorre com a ciência. Várias causas foram oferecidas para provocar o fim: a reversão dos polos magnéticos da Terra, a colisão com um asteroide, instabilidade solar, o planeta Nibiru, alinhamento galáctico etc. A Nasa preparou respostas para todas essas "ameaças" em seu portal e em um vídeo. (Se você entende inglês, eis o link do video: http://www.youtube.com/watch?v=QY_Gc1bF8ds) A história do planeta Nibiru, por exemplo, foi inventada pela médium americana Nancy Lieder, que diz ter um implante na cabeça que permite a ela se comunicar com alienígenas do sistema planetário Zeta Reticuli, a 39 anos-luz de distância. Como milhões de pessoas inteligentes acreditam numa besteira dessas e se esquecem de que o mundo ainda não acabou, mesmo após centenas de profecias apocalípticas no decorrer da história?
Entre outras coisas, o medo do fim do mundo reflete nosso medo de perder o controle da vida, do nosso destino. Reflete o medo ancestral, encravado em nossa memória coletiva e reconfirmado todos os anos em dezenas de desastres cataclísmicos, de que a natureza é muito mais poderosa do que nós e tem o poder de nos aniquilar a qualquer instante. Se nos séculos passados o fim do mundo refletia a ira divina ou a chegada da ressurreição, hoje, com os avanços da ciência, as causas são fenômenos cósmicos devastadores. Mas, como explico em meu livro "O Fim da Terra e do Céu", a simbologia é sempre a mesma: o fim vindo dos céus, sem que possamos nos defender, vítimas de nossos pecados ou de nossa fragilidade. Mas não precisa ser assim. Temos um poder enorme para nos defender de medos ancestrais e infundados: a razão. Nossa compreensão da natureza não nos traz apenas celulares e DVDs mas também a certeza de que o conhecimento é a melhor forma de liberdade.

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor de "Criação Imperfeita".:

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Gênio da raça, Niemeyer moldou contornos de nação em desenvolvimento :.


Neto de um ministro do Supremo Tribunal Federal, Oscar Niemeyer é fruto da elite carioca do início do século 20. Cresceu em Laranjeiras, no sobrado do avô, uma casa-grande urbana com costumes rurais: muitos parentes, criados e até missas aos domingos na capela. Seu pai era tipógrafo, e sua mãe, dona de casa. Como os cinco irmãos, foi educado por padres. Na juventude, jogou bola na rua, veraneou em Copacabana e adorava desenhar. Um tio fanfarrão o levou à boemia, e ele vivia no bilhar no largo do Machado e nos braços das francesas nas pensões da Lapa. Casou aos 21 anos e continuou no casarão. No mesmo ano, o desenho o levou à arquitetura. A falta de empenho na faculdade foi compensada pela sapiência de bater à porta de Lucio Costa (1902-1998), a mente privilegiada da arquitetura brasileira.
No pequeno escritório da avenida Rio Branco, Costa insuflava a alma da moderna arquitetura do país, mesclando tradição (via influências luso-brasileiras) e modernidade (linha do franco-suíço Le Corbusier, 1887-1965). Sem receber salário, Niemeyer não despertou a atenção do chefe. Foram tempos difíceis: era universitário quando nasceu sua única filha. Recebia pouco dinheiro do pai, e a comida vinha do aluguel de um imóvel de uma tia. Alugou uma casa de vila no Leblon e dormia no sofá-cama da sala. Seus hábitos sempre foram simples.A sensibilidade social o levou ao Partido Comunista, em 1945, e o talento foi adubado pela participação no projeto do Ministério da Educação e Saúde, no Rio. O ministro Gustavo Capanema desejava um prédio simbólico, um ícone moderno para o governo Vargas, e convocou Lucio Costa para desenhá-lo. Costa montou equipe (o imberbe era o desenhista) e convenceu o ministro a contratar Corbusier como consultor. O desenho aproximou Niemeyer do europeu, e o brasileiro entendeu o modernismo. :. PAMPULHA
Sua resposta veio em quatro anos, com a primeira obra-prima: um conjunto às margens da lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte. Virou a noite desenhando para atender o ambicioso Juscelino Kubitschek, então prefeito. A igreja assombrou o mundo: nascia ali o gênio que deglutiu os ensinamentos de Costa e Corbusier e digeriu-os com malemolência. A antropofagia de Oswald de Andrade nunca fez tanto sentido: Niemeyer transformou a sisudez do racionalismo europeu, subvertendo-a com leveza e lirismo, amalgamando o concreto com a personalidade do estereótipo carioca -malandro, criativo, mulherengo e informal. Se parte da crítica europeia não o entendeu, acusando-o de barroco, seu talento de criar ícones não seriados foi compreendido e incentivado pela elite política, cultural e econômica brasileira. Assim, no auge da carreira, da Pampulha a Brasília, Niemeyer forjou a face de uma nação em desenvolvimento. De Getúlio a Juscelino, ao som da bossa nova e das conquistas futebolísticas, perpetrou edifícios emblemáticos que alimentaram a estima nacional. Oswald foi às lágrimas ao percorrer o Ibirapuera, e o Brasil mudou com os projetos de Oscar Niemeyer -gênio da raça, um dos maiores artistas que o país produziu. Tudo se alterou com o golpe militar, que sepultou a ideia do país moderno e lírico. As cidades incharam, evidenciando o abismo social. Autoexilado, Niemeyer foi acolhido pela esquerda do hemisfério Norte: de Paris, plantou seu ideário de sonho tropical no mundo mediterrâneo como canções de exílio. As obras do retorno nasceram démodées. As escolas públicas de Darcy Ribeiro (1922-1997) o aproximam das urgências nacionais, mas ele não tinha habilidade para responder. No mais, materializou ambições políticas. O canto do cisne foi o MAC de Niterói, onde testou a (quase) eterna capacidade de criar marcos. Viúvo, aos 98 anos casou-se com a secretária, amante de anos. Vivia em um apartamento em Ipanema e não deixou fortuna. A longevidade pregou-lhe uma peça: ele acreditou na farsa que difundiu da facilidade de criar poesia com gestos. Sua última fase nos lembra que, por trás do gênio dos croquis simples da Pampulha, havia um incansável e exigente trabalhador em busca da ginga perfeita. O malandro carioca deu duro.


FERNANDO SERAPIÃO 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Vermes como remédio :.




Para muitos seres vivos, seu meio ambiente é outro ser vivo. São animais, bactérias e vírus que vivem dentro de um hospedeiro. A relação entre esses seres e seu meio ambiente é complexa, pois o ambiente é vivo e capaz de reagir à presença do hóspede. Em alguns casos, o hóspede é agressivo e destrói rapidamente seu ambiente. É o caso do vírus Ebola, capaz de matar o humano infectado em questão de dias. Em outros, a sobrevivência do hóspede é impossível, como no caso de um vírus de sarampo que tenta se acomodar no corpo de uma criança vacinada. O vírus é destruído em questão de horas por um sistema imune alerta e preparado. Mas existem casos em que hóspede e hospedeiro convivem amigavelmente e se ajudam. É o caso das bactérias nas raízes de plantas como feijão e soja. Elas invadem as raízes e são muito bem recebidas. Vivem dos nutrientes recebidos da planta hospedeira, mas em troca transformam o nitrogênio no ar em compostos nitrogenados necessários para o crescimento do hospedeiro. Como as plantas não são capazes de produzir esses compostos, a relação é do tipo ganha-ganha. No nosso corpo também há uma relação cordial entre nosso intestino e as bactérias que lá habitam. As dezenas de espécies de bactérias que constituem nossa flora intestinal têm um papel importante na nossa digestão e no bom funcionamento do sistema digestivo. Desde que o homem moderno surgiu, há mais de 200 mil anos, convivemos com uma variedade enorme de seres que vivem e se reproduzem dentro de nosso corpo. São vírus, bactérias, fungos, amebas e diversos tipos de vermes. Nossa relação com cada um desses hóspedes varia. Em alguns casos, eles nos matam; em outros, ajudam; e muitas vezes são simplesmente tolerados e controlados por nosso sistema imune. O Homo sapiens foi selecionado e sobreviveu por milhares de anos na presença desses outros seres, mas nos últimos 200 ou 300 anos aconteceu um fenômeno novo. Com o desenvolvimento da medicina, descobrimos que muitos desses seres são responsáveis por doenças. Essa descoberta levou o Homo sapiens a desenvolver métodos poderosos para tornar a vida desses hóspedes impossível.  São os antibióticos, os antifúngicos, os vermífugos e as vacinas. Essas novas tecnologias acabaram com muitas doenças e, infelizmente, no início do século 20 nos levaram a crer que todo e qualquer ser vivo que habitasse nosso corpo deveria ser exterminado. A água encanada e tratada, os alimentos higienizados e outras tecnologias também diminuíram muito nossa exposição a esses seres vivos. No auge desse movimento, até a lavagem periódica dos intestinos chegou a ser recomendada. Mas, no século 20, ao mesmo tempo que muitas dessas doenças desapareceram, surgiu um novo problema, o crescimento muito 
rápido de diversas doenças autoimunes, ou seja, o sistema imune de um corpo passa a atacar esse próprio corpo. Entre essas doenças está a colite ulcerativa e a síndrome de Crohn, que afetam nosso intestino.
Por volta de 1990, alguns cientistas tiveram uma ideia radical. Será que parte dessas doenças autoimunes não seria causada pela eliminação desses nossos hospedeiros nas sociedade moderna? Assim como as bactérias presentes no intestino são necessárias para seu bom funcionamento, eles imaginaram que a eliminação dos vermes de nosso intestino poderia ser a causa da síndrome de Crohn e da colite ulcerativa. Para testar essa hipótese, decidiram tratar pacientes com vermes vivos. Escolheram um verme que infecta tanto homens quanto porcos, que sobrevive somente algumas semanas no nosso intestino e não causa doenças. O verme, Trichuris muris, foi produzido em porcos e seus ovos, depois de limpos, foram administrados aos pacientes. Em 2005, no primeiro teste, um único paciente engoliu 2,5 mil ovos vivos. Semanas depois, os sintomas desapareceram e ele  melhorou. No segundo experimento, três pacientes foram tratados e os bons resultados, confirmados. Num teste maior, 29 pacientes com doença de Crohn foram tratados com ovos desse verme. Após 24 semanas, 80% deles estavam melhor e 72% deixaram de apresentar todos os sintomas. Resultados semelhantes foram obtidos em testes com pessoas com colite ulcerativa. Esses resultados levaram companhias farmacêuticas a iniciar o desenvolvimento de remédios para essas doenças baseados na ingestão de parasitas vivos e levaram muitos cientistas a investigar como a presença de vermes no intestino evita a reação autoimune. Hoje esses remédios estão nas últimas fases dos testes clínicos e já se compreende como a presença desses hóspedes em nosso intestino evita o aparecimento dessa doença. Tudo indica que nosso sistema imune evoluiu para combater e controlar esses parasitas e, na sua falta, a capacidade bélica de nosso sistema imune se volta contra nosso próprio corpo. Ingerir ovos vivos de vermes para evitar doenças autoimunes é desagradável, mas talvez o erro da humanidade tenha sido eliminar de nosso corpo todo e qualquer verme, tanto os que causam doenças como os necessários para a manutenção da saúde. A melhor evidência de que a medicina transformou vermes em inimigos é a aversão que temos à ideia de ingerirmos ovos de vermes - mas o curioso é que as mesmas pessoas que têm nojo de vermes já se habituaram a ingerir iogurtes com bacilos vivos para 
manter saudável sua flora intestinal. Surgimos e convivemos por 200 mil anos com seres vivos no corpo. Agora temos de aceitar que parte deles provavelmente é necessária para nos mantermos saudáveis. É mais uma dimensão de nossa íntima relação com os seres vivos, tanto os que nos 
cercam por fora quanto por dentro.:

*Fernando Reinach - O Estado de S.Paulo,  video ;. 

Coil - First Five Minutes After Violent Death Golden Section

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

“Ecos do tempo perdido” de Vidal de Azevedo :. pequena resenha crítica sobre



Na virada do século XIX para o século XX a convicção de que o mundo progredia para um paraíso terrestre foi abalada então pela duvida; guerras violentas e absurdas pôr todo o planeta, vertiginosa destruição do ambiente natural, devido aos resíduos tóxicos industriais, o crescimento descontrolado, como um cancro das vias de comunicação, as catástrofes tecnológicas, de dimensões imprevistas e com proporções apocalípticas, como os acidentes nucleares de Sevezo, Bophal e Chernobyl, o fato de um terço da humanidade passar fome ou morrer de fome enquanto um quinto vive com esbanjamento, a crescente agressividade nas relações humanas, estes e outros fatos fizeram abalar a crença no progresso.  “Ecos do tempo perdido” tese de doutorado em história de Vidal de Azevedo, editado agora, se mostra mais como uma ficção datada no tempo passado, e por isto traz consigo toda a energia intrínseca deste inicio de século, aonde as instituições, como a ciência, se tornaram altamente predatórias ao ser humano! O curioso desta tese, de temática e texto cáustico é de utilizar a ficção cientifica para cutucar questões éticas e humanísticas, optando não, por uma narrativa linear, mas pôr uma pulverização frenética da linha do tempo, num nível indiferenciado de ficção e memória, reconhecendo e conferindo poderes ao livre-arbítrio, ao mesmo tempo em que desdenha suas obras: o livre-arbítrio como qualquer liberdade, inclusive as de mercado, vale pelo que gera.  A ânsia pela tradição é uma das principais angustias da sociedade pós-moderna, como um tremor que mistura presente passado & futuro “Ecos do tempo perdido” é de uma irresistível originalidade, abordando a historia da gênese dos “tempos modernos” através de conceitos como etnoscapes, thecnoescapes, finaescapes e ideoscapes (algo como paisagens étnicas, técnicas, financeiras & ideológicas) ressaltando o papel da guerra na construção cultural do mundo como o conhecemos hoje, globalizado!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Por que densidade e porosidade são tão importantes nas cidades contemporaneas;.Holandês defende mais humanização dos arranha-céus


Um vídeo animado de prédios empilhados de forma irregular criando um arranha-céu de 400 metros em Jacarta (Indonésia) surpreendeu a plateia do 9º Fórum Mundial de Criatividade, no Rio, no mês passado. Foi com intensidade e convicção que o arquiteto holandês Winy Maas, 54, apresentou a materialização do seu binômio predileto: densidade e porosidade."Faço uma verticalização alternativa que inclui uma dimensão humana. Temos que quebrar a verticalização da forma como conhecemos hoje", disse Maas .Para ele, membro do premiado escritório MVRDV (é o 'M' da sigla), adensar cidades é uma das principais formas de "salvar o planeta".Prédios com uso misto (comercial e residencial) diminuem as distâncias percorridas pelo cidadão. Espaços vazios nos edifícios e planos diretores ajudam a humanizar e criar espaços de convivência, diz.Ele foi um dos arquitetos convidados pelo ex-presidente da França Nicolas Sarkozy para elaborar um novo plano urbano para Paris.Maas propôs a ampliação de parques e a redistribuição da atividade econômica na chamada capital francesa.No edifício de Jacarta, ele radicalizou a sua proposta. Cada bloco do prédio planejado tem uma função e há até um hotel no topo do edifício. As inúmeras varandas que surgem do desencaixe no prédio criam jardins. O holandês, porém, rejeita a tese de que a verticalização é a única forma de adensar as cidades na atualidade."Há potencial que nos permite adensar mais sem arranha-céus", afirma ele. Leia abaixo trechos da entrevista que o arquiteto de Winy Maas concedeu à Folha.de SP apreciem:.*
 Por que densidade e porosidade são tão importantes no seu trabalho?
Winy Maas* - Densidade nos ajuda muito hoje em dia a salvar o planeta. Deixamos espaço para agricultura, florestas, manejo da água, etc. Outro argumento é favorecer o intercâmbio, locais de encontro, além de ser mais eficiente. Cria uma composição mais ecológica do planeta.
Ao mesmo tempo que as pessoas querem densidade, estar perto do bar, da biblioteca, eles também querem um jardim, uma praça. Aí entra a porosidade. Se eu quero uma torre, como vou ter um jardim? Nossa arquitetura atual não combinou isso bem até hoje. É preciso transformar a arquitetura nessa direção para combinar essa densidade e o desejo humano por espaço.
Geralmente há rejeição a grandes torres, como a de Jacarta. Como o senhor vê essas críticas?
Nós fazemos edifícios de escala menor. Mas também faço uma verticalização alternativa que inclui uma dimensão humana. Temos que quebrar a verticalização da forma como conhecemos hoje e transformá-la em pequenas vilas empilhadas. Pode ser uma alternativa para encorajar a viver em locais densos de uma forma humana.Mas é claro que a densidade não precisa ter sempre 200 metros de altura. Bairros europeus às vezes têm densidade que é quase o dobro das favelas do Rio. Há potencial que nos permite adensar mais sem arranha-céus como os feitos na Ásia. A polaridade [arranha-céu x prédio baixo] é perigosa, porque vira um jogo de sim ou não. Arquitetos e políticos têm que mostrar que sabem fazer, seja o que for, de uma forma humana.

As pessoas estão habituadas a viver num lugar e trabalhar em outro. Como combinar essas funções?
As pessoas não vão morar e trabalhar num mesmo prédio. Mas faço edifícios com áreas comerciais para que a cidade reduza a necessidade de transporte. É o que propomos na Grande Paris [grupo de arquitetos que propuseram integrar a periferia com o centro. Descobrir qual é a melhor mistura de diferentes elementos [é o desafio].

O senhor conhece alguma favela brasileira? Por onde começaria a trabalhar nelas?
Sim, fui à Providência. Sei do projeto que está começando para tornar esses ambientes mais seguros. Há muito trabalho a fazer. As construções foram feitas pelos próprios moradores e não têm nível profissional.
Atualizaria completamente o fornecimento de gás, energia e água. Tudo feito localmente seria o primeiro passo. Talvez fazer poços profundos e [gerar] eletricidade local, sem conexão com a rede [da cidade]. Uma espécie de favela autárquica poderia ser um projeto interessante.
Favelas existem há muito tempo, e algum investimento já foi feito. Mas há tantas. Por onde começar? É uma questão econômica.

Qual a maior dificuldade em adaptar cidades já existentes?
Depende da área. Algumas são menos densas e mais fáceis de transformar. Mas sempre há franjas em qualquer lugar, lugares abandonados que podem ser usados. O que está sendo feito, por exemplo, na zona portuária do Rio é necessário.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Vita Somnium Breve :. Rones Tadeu Dumke por Adalice Araújo


Em “Sonho Breve”, Rones Tadeu Dumke persegue a “metafísica do infinito”. O personagem principal, um adolescente alado, inspirado na figura de Ícaro, é o verdadeiro foco narrativo da composição que é amarrada por uma moldura, em cuja faixa inferior lê-se, sobre campo azul, a inscrição latina “ Vita Somnium Breve”. O axe do corpo levemente inclinado, o braço estendido e a asa formam uma estrutura piramidal. Ora, o fato de possuir asas é deixar o terrestre para ascender ao paraíso. É, porém com melancolia que ele contempla o inatingível Éden, simbolizado pela natureza, como no quatrocento italiano, vista através da janela / abertura para o ar, para a luz. O pássaro azul que ali repousa é a imagem do poder mágico da comunicação com o infinito. O violeta da parede imprime ao todo um sentido contemporâneo, sendo ao mesmo tempo sinônimo da metempsicose.
A síntese do mistério da vida é o que Rones propõe em “ “Sintoma Geométrico”. Como numa cena de batismo propiciatório, o personagem principal, um jovem que segura uma esfera, está semi submerso na água plasma feminino de onde nasce a vida. Em primeiro plano, nenúfares – tão empregados no “ art-noveau” – simbolizam a natureza primordial, o estado endênico; ao fundo numa vasta planimetria o encontro do céu com os rochedos> Na esfera, ponto de concentração visual, o simbolismo da vida, não só através dos círculos concêntricos que representam o mundo terrestre e o outro mundo, como através da figura que segura à outra esfera, que significa o príncipio cosmogônico. Sendo a esfera o círculo  na ordem dos volumes, a sua representação num motuo perpétuo simboloza também, não só os degraus do ser como a totalidade individual, a perfeição sem começo nem fim.
Em a “Colônia dos Sonolentos”, várias cabeças aladas são dispostas em duas faixas horizontais. Verdadeiro microcosmo cujo sonho simboliza a dramaturgia noturna. Guirlandas de flores “artnoveau” completam a composição ao alto.


O “Encontro” funciona como uma metáfora visual. A coluna de uma estranha arquitetura divide a composição ao meio, como um símbolo cósmico e espiritual que projeta a psique humana. De um lado uma jovem de perfil, em vermelho, e do outro lado à repetição da mesma figura em azul, onde só mudam os detalhes ornamentais. Elas tanto poderiam ser o encontro do eu com o alter. ego, como a fusão de épocas distintas. O pássaro centralizado voando ao alto é o intermediário entre o céu e a terra.


Uma rítmica musicalidade é a dominante de “A Jornada iniciatória”, em que varias jovens, com vestes transparentes, de sutil beleza linear botticelliana, assumem o valor cíclico de acordes musicais. Os diversos símbolos que seguram nas mãos do pássaro, à raquete de tênis, a romã, lírio, livro & cálice funcionam como os símbolos iniciáticos da vida e as transmutações sofridas através das experiências existenciais.
A dinâmica expressiva concentra-se na parte superior de “O Rival”, cujo estímulo visual reside na sensação de movimento do braço que segura um crânio – homólogo da abóboda terrestre – e o enrolar-se da serpente no chão. Esta última encarna o psiquismo inferior, contrastando com o campo de trigo ao fundo, que representa tanto o dom da vida litúrgica, como o drama saero, seja ele relacionado a Osíris, a Dionísio ou a Cristo.
A sensação de enigma torna-se mais evidente em Diástole, cujas figuras principais, duas moças nuas, formam uma angulação, que cria estranha sensação de movimento cristalizado, seu poder mágico é ampliado pela paisagem e pelo hieratismo das esculturas da piscina em primeiro plano. A margem oposta do rio, visível ao fundo, seria o pâramitâ, o estado que está além.
Em outras composições a alma dos personagens contrasta com dados de agressão.
A imaginação criadora de Rones Tadeu Dumke constrói um universo de meditação silenciosa, em que o mundo objetivo é substituído pela poesia; a linha descritiva pelo simbolismo linear; a ambientação e as cores reais pelo clima e cores do sonho.
Sente-se uma evidente afinidade de Rones Tadeu Dumke com os simbolistas franceses; sobretudo Gustave Moreau; Willian Blake e os visionários ingleses; ou os pré-rafaelitas, Dante Gabriel Rosseti e Burne Jones. Observe-se, porém, que não se trata de uma transposição, mas uma recriação, onde predomina o poder mágico da cristalização do espaço. Apesar do artista jogar com referência a várias épocas persiste a indefinição de tempo & lugar.
No ponto de vista técnico, adota exclusivamente o papel fabriano e lápis de cor de diversas marcas, para que, com sua consistência possa melhor explorar a textura do papel. Como os românticos ingleses aproveita o branco do suporte – pelo seu poder de reflexão das cores, trabalhadas em camadas sobrepostas, que se inter-relacionam.
Ainda como eles, irá explorar em suas composições o tipo feminino, ou o adolescente, frequentemente andrógino, com belos e melancólicos olhos, pálpebras semifechadas, lábios sensuais, cabelos soltos e ondulados que nos encantam por seu rítmico simbolismo linear.
Chaves do enigma, eles contém a realidade e a irrealidade do sonho. Meditativos e silenciosos, próximos e distantes, indagam-nos sem nos dar respostas. Movem-se em um mundo que abole a lógica cientifica para substituí-la pela linguagem mitopoética.
   Adalice Araújo
Curitiba junho de 1980.:

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O sonho breve:. por Rones Dumke

Mais do que um movimento estético, o surrealismo é uma maneira de enxergar o mundo, uma vanguarda artística que transcende a arte. Busca restaurar os poderes da imaginação, castrados pelos limites do utilitarismo da sociedade burguesa, e superar a contradição entre objetividade e subjetividade, tentando consagrar uma poética da alucinação, de ampliação da consciência. Breton declara no Primeiro Manifesto sua crença na possibilidade de reduzir dois estados aparentemente tão contraditórios, sonho e realidade, “a uma espécie de realidade absoluta, de sobre-realidade [surrealité]”. O surrealismo se auto define como a cronica dos sonhos, se antigamente o mundo dos sonhos invadia a realidade , depois do advento da informatizacao nos anos 80 podemos dizer que a realidade invade sem piedade o mundo dos sonhos,  a esta  corrente estetica denominamos pos modernismo. Este movimento, que também pode ser chamado de pós-industrial ou financeiro, predomina mundialmente desde o fim do Modernismo. Ele é, sem dúvida, caracterizado pela avalanche recente de inovações tecnológicas, pela subversão dos meios de comunicação e da informática, com a crescente influência do universo virtual, e pelo desmedido apelo consumista que seduz o homem pós-moderno. O Homem pós-moderno habita em um universo imagético, repleto de signos e ícones, privilegiados em detrimento dos objetos; a simulação substitui a realidade, e elege-se o hiper-realismo  – também conhecido como foto-realismo, e que pretende transpor para o universo das imagens uma realidade objetiva – como expressão máxima da contemporaneidade e das incertezas humanas. estas imagens  são  desenhos de autoria do virtuoso artista  curitibano Rones Dumke, precursor do pos modernismo, mais especificamente na corrente 'pintura colta," aonde tempo e espaço são reduzidos a fragmentos; a individualidade predomina sobre o coletivo e o ser humano é guiado pela ética do prazer imediato como objetivo prioritário, denominado hedonismo.: A humanidade é induzida é levar sua liberdade ao extremo, colocada diante de uma opção infinita de probabilidades, desde que sua escolha recaia sempre no circuito perverso do consumismo. Daí a subjetividade também ser incessantemente fracionada. Apreciem o resgate de seu trabalho de 1980: O sonho breve:. O caminho dos pensamentos perdidos:.em Memoria de Adalice Araújo * 1931/+ 2012 por RONES DUMKE, com trilha sonora Nine Inch Nails:




Astroteologia :. breve introdução


Nós, humanos, somos seres limitados. Criativos e inovadores, conseguimos ampliar em muito a nossa compreensão do mundo por meio da aplicação diligente da razão e, complementarmente, das artes. Isso porque, se a ciência e as artes têm algo em comum, é justamente a tentativa de estender nossa visão de mundo, de ampliar as fronteiras do conhecimento, revelando aspectos inusitados do real. Um teorema e um poema são reflexões do possível, seja o concreto ou o onírico. A imaginação lança mão de todos os recursos à sua disposição para dar sentido à existência. Talvez seja por isso que o teólogo americano Reinhold Niebuhr escreveu que "o homem é o seu maior problema". Nossas filosofias, ciências e religiões são tentativas de compreender a existência apesar de nossa miopia, isto é, de nossas limitações sobre o que vemos e entendemos. Nessa busca, não é coincidência que a crença religiosa funcione como uma bússola para tantas pessoas. Como explicar a origem do Universo? Ou da vida? Ou por que temos uma mente capaz de refletir sobre essas questões complexas? Tais questões são, hoje, parte da pesquisa científica de ponta. Vivemos numa época peculiar, em que o que antes era província exclusiva da religião faz parte do discurso rotineiro da ciência. Porém, por não termos ainda respostas, essas questões continuam nos assombrando.Talvez um dos dilemas da humanidade seja a angústia de poder contemplar o divino sem sê-lo. Temos a capacidade de imaginar a perfeição, a ausência de dor, a imortalidade; mas, tirando a ficção e a fé, não temos como transcender nossa realidade carnal, os limites temporais e espaciais. Ou será que temos? Considerando que a ciência moderna tem apenas quatro séculos (marcando seu início com Kepler e Galileu), e percebendo o quanto já fizemos em tão curto prazo, imagine o que nos espera em mil anos? Ou 10 mil anos, se, claro, não nos destruirmos antes disso. A ciência nos permite já uma manipulação dos genes de criaturas, a ponto de podermos modificar o que comemos e mesmo alcançar curas diversas. Extrapolando a expansão tecnológica para o futuro, alguns afirmam que, em algumas décadas, chegaremos a um ponto em que nossa hibridização com máquinas será tão profunda que não poderemos mais nos dissociar delas. Caso essas previsões se concretizem -e, a meu ver, já estão ocorrendo-, seremos, como escrevi aqui recentemente, uma nova espécie, além do humano.Agora imagine que, tal como nós, outras criaturas inteligentes em algum canto da galáxia descobriram a ciência. Só que o fizeram, digamos, 1 milhão de anos antes de nós, o que em termos cósmicos não é nada.Essas criaturas teriam se transformado completamente ao se hibridizar com máquinas. Seriam, talvez, apenas informação, existindo em campos energéticos no espaço. Teriam o poder de criar vida, escolhendo suas propriedades. Poderiam, por exemplo, ter nos criado, ou a alguns de nossos antepassados, como parte de um experimento. Poderiam, por exemplo, estar nos observando, como nós observamos animais no zoológico ou no laboratório. Essas entidades imateriais, mas existentes, seriam nossos criadores. Seriam eles deuses, mesmo se não sobrenaturais?


*Marcelo Gleiser é professor de física e astronomia do Dartmouth College, em Hanover (EUA). É vencedor de dois prêmios Jabuti e autor, mais recentemente, de "Criação Imperfeita". Escreve aos domingos na versão impressa de "Ciência".



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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Pocket Park :. Requiem


Paisagismo não é só desenhar jardins- mas planejar aréas livres,buscar beleza desenhando espaços, respeitando profundamente e ao mesmo tempo "civilizando" a natureza, como forma de harmonizar o homem com seu ambiente. Muito se fala hoje sobre o meio ambiente e a necessidade de sua preservação;no entanto muito pouco se faz como contribuição neste sentido:. Criar um jardim é buscar um mundo melhor. Em nosso esforço para aperfeiçoar a natureza, somos guiados por uma visão do paraiso.Quer o resultado seja uma obra prima de paisagismo ou apenas um modesto recanto vegetal, ele se baseia na expectativa de um futuro glorioso.Esta esperança de futuro está no cerne de todo paisagista.Portanto o paisagismo é um exercicio de otimismo...Ás vezes é a vitória da esperança sobre a experiência :. 


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O que seremos no futuro?


Acabo de assistir uma palestra do inventor e futurista Ray Kurzweil, que está passando uns dias na minha universidade nos EUA. Kurzweil ficou famoso por suas várias invenções, desde sintetizadores que podem simular sons de piano e outros instrumentos, até um software para cegos que transforma texto em voz. Escreveu vários best-sellers, onde explora como o avanço exponencial da tecnologia transformará profundamente a sociedade, redefinindo não só o futuro mas a própria noção do que significa ser humano.Segundo Kurzweil, a revolução não só já começou como avança rapidamente em direção a um ponto final, "a Singularidade", quando máquinas e seres humanos formarão uma aliança que poderá nos tornar seres super-humanos. Ele prevê que chegaremos lá em 2045.Segundo Kurzweil, em 2020 computadores serão poderosos o suficiente para simular o cérebro humano. Baseando seus argumentos numa lei empírica chamada "Lei dos Retornos Acelerados", em 25 anos o progresso da internet, a velocidade de processamento de dados, o acesso a bancos de dados, criarão tecnologias bilhões de vezes mais poderosas do que as que temos hoje. Por exemplo, os computadores da década de 70 eram um milhão de vezes mais caros e mil vezes menos eficientes do que o que temos hoje em nossos celulares, totalizando um aumento de bilhões de vezes em eficiência de computação por real. Ele prevê que em 2029 teremos entendido o funcionamento do cérebro humano, ao menos o suficiente para simularmos seu funcionamento em computadores que, à esta altura, serão bem mais poderosos do que nossos cérebros.
A singularidade, no caso da física dos buracos negros, de onde Kurzweil tomou sua inspiração, é um ponto além do qual não sabemos o que pode ocorrer. É onde as leis que usamos para descrever as propriedades da matéria, do espaço e do tempo deixam de fazer sentido. Isto não significa que é impossível compreender a singularidade, mas apenas que não temos as ferramentas teóricas para fazê-lo.Já no caso da inteligência artificial, fica bem mais difícil prever o que poderá ocorrer. Toda tecnologia pode ser usada para o bem ou para o mal. Se, como Kurzweil, somos otimistas e vemos que a humanidade, em média, tem se beneficiado com o avanço tecnológico (vivemos mais e matamos melhor; mas matamos menos), a singularidade trará uma nova era na evolução da inteligência, onde o corpo será supérfluo: o que importará será a informação que nos define. Afinal, somos matéria arranjada segundo um plano, e este plano é uma sequência de instruções, ou seja, um programa.Se podemos armazenar estas instruções, em princípio podemos recriá-las em qualquer máquina, como numa realidade virtual superavançada. Imagine um personagem do videogame Sims que é tão sofisticado que se considera vivo. Seremos ele. A realidade, tal qual a percebemos, pode ser simulada; basta mais informação, mais detalhes, mais velocidade de processamento. Se é este o nosso futuro, é bom começarmos a pensar nas suas várias consequências. E nos certificar que nossa informação terá um backup que não falhará ou poderá ser destruído por forças malignas.:

Marcelo Gleiser é professor de física e astronomia do Dartmouth College, em Hanover (EUA). É vencedor de dois prêmios Jabuti e autor, mais recentemente, de "Criação Imperfeita". Escreve aos domingos na versão impressa de "Ciência".

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Jubileu de Prata do Município de Casacavel:.


De origem francesa (Honorê's), Leonor Honorê Viero já entrou para os anais da historia da cidade de Cascavel. Com sua contribuição valiosa, fruto de trabalho, coragem e persistência. Desde criança sempre em contato com a história cascavelense em relatos contados por seu pai Fritz Waldemar Honoré, engenheiro que junto à comitiva do então coronel Mario Tourinho em 1947 elaborou o traçado da estrada que liga Guarapuava a Foz do Iguaçu, talvez por isto escolhesse Cascavel para fixar residência.Veio para Cascavel em 1953 quando a cidade ainda era muito pequena e quase sem recursos, mas ela acreditava em seu desenvolvimento. Alicerçou sua vida no lema “querer é poder”, conseguindo tudo o que se propôs através de muito trabalho, persistência e fé. Concretizou um de seus sonhos no comércio de roupas, pois na época não existia nenhuma loja em Cascavel. Iniciou vendendo roupa a domicilio, utilizando-se de uma bicicleta para visitar os clientes. Em 1976 recebeu o troféu imprensa destaque empresarial Personalidade de Cascavel (e um opala 0 km) entregue por Sergio Chapellen da rede Globo numa festa, um baile  comemorativo de aniversario de Casacavel,o Jubileu de Prata do Município em 14 de novembro daquele ano. E em março de 1996, no dia internacional da mulher, o Governo do Estado através do Conselho Estadual da Mulher prestou homenagem às pioneiras da cultura paranaense com destaque para o nome de Leonor Viero, homenageada pelo seu trabalho desbravador:.

Cores & Ambiente :. Identidade Corporativa



O uso de cores em ambiente corporativo requer sensibilidade e alguns cuidados especiais. Em caso de sinalização de segurança e prevenção de acidentes, deve seguir a Norma Regulamentadora (NR26), seja na identificação de equipamentos de segurança e delimitação de áreas, seja na identificação de canalizações de gases e líquidos perigosos entre outros. 
Na decoração, as cores influenciam no comportamento das pessoas. Podem alterar o humor, desencadear emoções ou até modificar o funcionamento do organismo. Porque a relação humana com as cores se dá não apenas pela visão, mas também pela luz e ondas de energia, fenomeno na física denominado de radiosidade, como revela a cromoterapia. Influencia no aspecto físico, químico, sensorial e psíquico.
Sendo assim, devidamente, selecionadas, podem ser usadas para harmonizar o ambiente, tornando-o mais agradável ao quebrar a monotonia de certas tarefas. Tudo depende de estudos preliminares. Usadas indiscriminadamente, as cores podem comprometer o desempenho ao invés de ajudar.
As cores podem agregar sentido às formas utilizadas na elaboração de uma marca, entretanto existem referencias que tambem influenciam nos sentimentos da pessoa que observa uma marca. O processo de aprender a fazer distinções mais precisas e úteis, engloba todos os tipos de sentimento, inclusive os táteis, em que a atenção e os sentidos estão voltados para fora. ...por meio deste estudo foi comprovado que podem ler mais rapido e compreender com maior facilidade a marca com a exposição adequada: É a luz da razão que suportada por novas concepções artísticas e possibilidades técnicas permite a libertação da arquitectura em direcção a um novo absoluto. 
Para a NR26, o uso precisa seguir padão, para não ocasionar distração, confusão e fadiga ao trabalhador. A indicação em cor, sempre que necessária, especialmente quando em área de transito para pessoas estranhas ao trabalho, será acompanhada de sinais convencionais ou de identificação por palavras, se necessário.
Dentre as diversas cores previstas pela NR26, o vermelho, por exemplo, deve ser usado para distinguir e indicar equipamentos e aparelhos de proteção e combate a incêndio. Não deve ser usado na indústria para assinalar perigo, por ser de pouca visibilidade em comparação com o amarelo de alta visibilidade, e a laranja usada para <>. Mas podem ser usados, excepcionalmente no sentido de advertência de perigo, quando se trata de luzes em barricadas, tapumes de construções e quaisquer outras obstruções temporárias; botões interruptores de circuitos elétricos para paradas de emergência.
O amarelo deve ser empregado para indicar “Cuidado”. O branco e adequado para passarelas e corredores de circulacão, localisacão e coletores de residuos, de bebedouros, areas em torno de equipamentos de socorro de urgencia, de combate a incendio ou outros equipamentos de emergencia.
O preto pode ser usado em substituicão ao branco, ou combinado a este, quando condicoes especiais o exigirem, Ja o verde e a cor caracteristica da Seguranca do Trabalho e deve ser empregado em canalizacoes de agua, caixas de equipamento de socorro de urgencia, caixas contendo mascaras contra gases, chuveiros de seguranca, marcas, fontes, quadros para exposicão de cartases, boletins, avisos de seguranca etc.:

domingo, 28 de outubro de 2012

Cornos de ordem simples :. por Charles Fourier


Em seu projeto de demolir a sociedade capitalista, o socialista utópico Charles Fourier (1772-1837) investiu contra as raízes mais profundas do sistema: o casamento monogâmico.
Idealizador de comunidades que prefiguram as utopias do amor livre no século 20, ele escreveu este "Quadro Analítico dos Cornos", com 76 tipos, do qual publicamos aqui uma seleção da primeira parte, "Cornos de ordem simples".: Apreciem  rsssss
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1. Corno em germe ou antecipado é aquele cuja mulher teve aventuras amorosas antes do sacramento e não entregou sua virgindade ao marido; como disse Molière, "se é pra ser só em germe, ele nem se incomoda". Nota: não são considerados cornos em germe os que sabem dos amores pregressos e, mesmo assim, enxergam conveniência no casamento; desse modo, aquele que se une a uma viúva não é corno em germe, nem aquele que conhece as relações anteriores da mulher e se acomoda.
Reprodução
O filósofo francês Charles Fourier (1772-1837)
O filósofo francês Charles Fourier (1772-1837)
2. Corno presumido é aquele que, muito antes do casamento, teme o destino comum, tortura a alma para escapar dele e sente a dor antes de prová-la realmente. Todos percebem que sua desconfiança só o levará à perdição na escolha da mulher e acelerar, por excesso de precaução, o acontecimento que ele tanto teme. Scarron retratou esse corno numa de suas novelas.
3. Corno imaginário é aquele que ainda não é corno, mas se lamenta acreditando que é. Este, assim como o presumido, sofre a dor imaginária antes da verdadeira. Molière retratou-o numa de suas peças.
4. Corno marcial ou fanfarrão é aquele que, ao fazer terríveis ameaças contra os galanteadores, acredita estar a salvo de suas investidas, mas acaba vestindo a carapuça ao mesmo tempo em que se gaba de ter escapado dela graças ao terror que espalha ostensivamente. Em geral, é corneado por um dos que aplaudem suas fanfarronadas e lhe garantem que ele é o único que sabe zelar pelo seu lar.
5. Corno arguto ou cauteloso é um homem fino e matreiro que, conhecendo todas as manhas do amor e farejando de longe os galanteadores, toma sábias providências para despistá-los. Leva notável vantagem sobre eles, mas, como até o mais hábil general no final experimenta dissabores, acaba subjugado ao destino comum. Pelo menos, embora seja corno, quase não é.
6. Corno engraçadinho é aquele que brinca com seus colegas e os trata como imbecis que bem que merecem o que lhes acontece. Os que o escutam se entreolham sorrindo e aplicam tacitamente o versículo do Evangelho: "Vês um cisco no olho do vizinho, não vês um poste no teu".
7. Corno puro e simples é um honorável ciumento que ignora sua desgraça e não se presta a piadas sobre seus atributos ou atitudes desajeitadas contra a mulher e seus perseguidores. De todas as espécies de corno, é a mais louvável.
8. Corno fatalista ou resignado é aquele que, desprovido de meios pessoais para segurar a esposa, se conforma com o que Deus quiser e se refugia na Justiça e no dever, lembrando que sua mulher seria mesmo culpada se o traísse --o que ela decerto faz.
9. Corno condenado ou designado é aquele que, afetado por deformidades ou enfermidades, assume o risco de se casar com uma mulher bonita. O público, chocado com tamanho contraste, condena-o por unanimidade a ostentar os chifres --e a sentença não poderia ser mais bem cumprida.
10. Corno irrepreensível ou vítima é aquele que, juntando a cortesia com as vantagens físicas e morais, e merecendo uma esposa honesta sob todos os pontos de vista, é no entanto traído por uma coquete, e recebe o apoio do público, que o declara digno de um destino melhor.
11. Corno por prescrição é aquele que se ausenta e faz longas viagens, enquanto a natureza toca os sentidos de uma esposa que, depois de se defender o bastante, é forçada pela duração das privações a aceitar o socorro de um vizinho caridoso.
12. Corno ocupado é aquele que o torvelinho dos negócios afasta continuamente da esposa, de quem ele nunca pode cuidar; ele é forçado a fazer vista grossa aos que acabam se tornando amigos discretos da família.
13. Corno doente é aquele que, por um imperativo de saúde, se abstém dos trabalhos da carne. O mínimo que sua mulher pode fazer é recorrer a substitutos, sem que o marido tenha o direito de se ofender.
14. Corno regenerador ou conservador é aquele que cuida dos interesses da comunidade, vigia a casa dos compadres e adverte que a honra deles está a perigo. Não vê, entretanto, o que acontece em seu próprio lar, e talvez devesse ser o sentinela de si mesmo, enfrentando a batalha no próprio front.
15. Corno publicitário é aquele que exalta as delícias do lar, estimulando todos a se casar e lamentando a infelicidade dos que se recusam a desfrutar como ele... de quê? Dos chifres. A quem ele faz a apologia do casamento? No mais das vezes, é a quem que lhe põe os chifres na cabeça.
16. Corno simpático é aquele que se afeiçoa aos amantes da mulher e se torna amigo íntimo. Alguns deles, quando a dama está de mau humor e brigada com o amante, o procuram para dizer "Faz tempo que a gente não se vê, estamos tristes. Não sei o que a nossa mulher tem. Venha nos fazer uma visita, isso vai distraí-la".
17. Corno tolerante ou bondoso é aquele que, tendo o amante da mulher hospedado em sua casa, se porta como um cavalheiro que faz as honras da casa, limita-se a repreender a dama secretamente e trata o amante como a todos, com a perfeita igualdade que a filosofia recomenda.
18. Corno recíproco é aquele que dá o troco e fecha os olhos, pois busca uma indenização na mulher ou parente daquele que lhe põe os chifres. Trata-se de uma dívida quitada: é melhor se calar num caso desses.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Laboratório urbano :. Paula Cesarino Costa



RIO DE JANEIRO - Foi o samba que colocou o morro no caminho da elite carioca. Foi sua localização próxima de onde estava o trabalho e o capital que causou sua ocupação desordenada e incontrolável.Foi o abandono pelo Estado e o consequente domínio do tráfico que tornou as favelas um dos piores lugares do país. Foi sua ocupação pelas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) que as transformou em projeto econômico e político potencial.
Durante o século passado, sucederam-se as tentativas de remoção das favelas. Mas elas não pararam de crescer. E estão na moda. Entrarão mais na rotina dos brasileiros pelas lentes da TV, com imagens aéreas do teleférico do Complexo do Alemão.
Por muito tempo as favelas foram invisíveis. Pela ação de muita gente espalhada pela cidade, barreiras começam a ser quebradas. O retrato é traçado com precisão pelo geógrafo Jailson de Souza e Silva, um dos fundadores do Observatório de Favelas:
"Não existe identidade carioca independente das favelas e vice-versa. A cidade tornou-se referência nacional e internacional também em função do peso arquitetônico, cultural e social dos espaços favelados. A garantia de riqueza paisagística e pluralidade cultural é central para o Rio e seu projeto de futuro."
Há muito a fazer e a temer. Um dos riscos é a "remoção branca", quando dinâmicas de mercado e de formalização tornariam preços e custo de vida tão altos nas favelas da zona sul que moradores não os suportariam e seriam deslocados para longe. Ainda não aconteceu. O que se vê são jovens, muitos estrangeiros, que buscam, no alto dos morros, vista deslumbrante com preço acessível e uma vida em comunidade à antiga.
Esse movimento pode vir a ser uma espécie de laboratório de "mistura social", onde pessoas com cultura e história diferentes, mas interessadas no outro, podem iniciar uma revolução silenciosa.

Paula Cesarino Costa é jornalista. Paulistana, é diretora da Sucursal do Rio da Folha desde 2004. Desempenhou várias funções desde que entrou no jornal em 1987. Foi secretária de Redação, editora de política, de negócios e de cadernos especiais e coordenadora de treinamento. Escreve às quintas na página 2 da versão impressa da Folha.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

As Metamorfoses do Diabo :. Augusto Boal


"Ser moderno nao e um valor em si e valores antigos por conseguinte nao sao maus, as ideias de solidariedade do cristianismo completaram agora dois milenio. devemos joga-las no lixo como senis? As bombas atomicas & de napalm sao relativamente modernas , devemos adora-las pela sua juventude? A versao nao e a verdade, a nocao de que uma mentira mil vezes repetida se tornava mais verdade do que a verdade silenciada expirou com o advento da informatizacao no inicio dos anos 80" 


                                                                                                            Augusto Boal  :: As Metamorfoses do Diabo
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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Camille Paglia, em Personas Sexuais:.


 “Uma das mais incompreendidas características da vida egípcia é a veneração dos gatos, cujos corpos mumificados têm sido encontrados aos milhares. Minha teoria é que o gato foi o modelo da singular síntese de princípios do Egito. O gato moderno, o último animal domesticado pelo homem, descende do Felis lybica, um gato selvagem do Norte da África. Os gatos são errantes e misteriosas criaturas da noite. Crueldade e brincadeira são a mesma coisa para eles. Vivem do e para o medo, treinando assustar-se e assustar os humanos com súbitas correrias e emboscadas. Os gatos habitam o oculto, isto é, o “escondido”. Na Idade Média, eram caçados e mortos por suas ligações com as bruxas. Injusto? Mas o gato realmente está ligado à natureza ctônica*, mortal inimiga do cristianismo. O gato preto do Dia das Bruxas é a sombra que ficou da noite arcaica. Dormindo até vinte de cada 24 horas, os gatos reconstroem e habitam o primitivo mundo noturno. O gato é telepata – ou pelo menos acha que é. muitas pessoas se amedrontam com seu olhar frio. Comparados com os cães, servilmente ávidos por agradar, os gatos são autocratas de evidente interesse próprio. São ao mesmo tempo amorais e imorais, violando regras conscientemente. Seu “mau” olhar nessas horas não é nenhuma projeção humana: o gato talvez seja o único animal que saboreia o perverso ou reflete a respeito.Assim, o gato é um adepto dos mistérios ctônicos. Mas tem uma dualidade hierática. Tem olhar intensivo. O gato fundo o olho de Górgona do apetite com o distanciado olho apolíneo da contemplação. Valoriza a invisibilidade, imaginando-se comicamente indetectável quando atravessa um gramado com passo malandro. Mas também adora ver e e ser visto; é um espectador do drama da vida, divertido, condescendente. É um narcisista, sempre ajeitando a própria aparência. Quando está assanhado, seu ânimo cai. Os gatos têm um senso de composição pictórica: colocam-se simetricamente em cadeiras, tapetes, até mesmo numa folha de papel no chão. Aderem a uma métrica apolínea de espaço matemático. Altivos, solitários, precisos, são árbitros da elegância – esse princípio que considero nativamente egípcio.
Os gatos são poseurs. Têm um senso de persona – e ficam visivelmente vexados quando a realidade perfura sua dignidade. Os macacos são mais humanos, mas menos bonitos. Agachando-se, tagarelando, batendo no peito, mostrando o traseiro, os macacos são convencidos vulgares que assomam na estrada evolucionária. As sofisticadas personas dos gatos são sinais de avançada teatralidade. Sacerdote e deus de seu próprio culto, o gato segue um código de pureza ritual, limpando-se religiosamente. Faz sacrifícios pagãos a si mesmo e pode partilhar suas cerimônias com os eleitos. O dia do dono de um gato muitas vezes começa com um belo monte de entranhas ou pernas trituradas de camundongo na varanda – lembretes darwinianos. O gato é o habitante menos cristão do lar médio.
No Egito, o gato; na Grécia, o cavalo. Os gregos não ligavam para os gatos. Admiravam o cavalo e usavam-no constantemente na arte e na metáfora. O cavalo é um atleta, altivo mas serviçal. Aceita cidadania num sistema público. O gato é a lei em si. Jamais perde seu ar despótico de luxo e indolência orientais. Era feminino demais para os gregos, amantes do masculino. Falei da invenção egípcia da feminilidade, uma estética de prática social distanciada da brutal maquinaria feminina da natureza. As roupas da egípcia aristocrática, uma perfeita túnica de linho transparente pregueado, eram macias, lisas, fluidas. Macia é a sorrateiricie noturna dos gatos. Os egípcios admiravam o aspecto liso, nédio, nos mastins, chacais e gaviões. O nédio é o liso contorno apolíneo. Mas a maciez é a arte sinuosa das trevas daimônicas, que o gato traz para o dia.
Os gatos têm pensamentos secretos, uma consciência dividida. Nenhum outro animal é capaz de ambivalência, essas ambíguas correntes contraditórias de sentimentos, como quando um gato ronronante enterra ao mesmo tempo os dentes como advertência, no braço de alguém. O drama interior de um gato ocioso é telegrafado pelas orelhas, que giram para um farfalhar distante enquanto ele repousa os olhos com falsa adoração nos nossos, e depois, pela cauda, que bate ameaçadora mesmo quando ele cochila. Às vezes, o gato finge não ter qualquer relação com a própria cauda, à qual ataca esquizofrenicamente. A cauda a contorcer-se e a bater é o barômetro ctônico do mundo apolíneo do gato. é a serpente no jardim, trombando e triturando com maliciosa antecipação. A ambivalente dualidade do gato é dramatizada nas suas erráticas mudanças de humor, saltos abruptos do torpor à mania, com os quais contém nossa presunção: “Não chegue mais perto. Nunca se sabe”.
Assim, a veneração dos egípcios pelos gatos não era nem tola nem infantil. Por meio do gato, o Egito definiu e refinou sua complexa estética. O gato era o símbolo daquela fusão de ctônio e apolíneo que nenhuma outra cultura conseguiu. A linha pagã de olho intenso do Ocidente começa no Egito, como acontece com a dura persona da arte e da política. Os gatos são exemplares de ambos. O crocodilo, também cultuado no Egito, assemelha-se ao gato em sua passagem diária entre dois reinos: movendo-se entre água e terra, o rugoso crocodilo é o ego blindado do ocidente, sinistro, hostil e sempre em guarda. O gato é um viajante do tempo do antigo Egito. Retorna sempre que a feitiçaria ou o estilo estão na moda. No esteticismo decadente de Poe e Baudelaire, ele readquire seu prestígio e magnitude de esfinge. Com seu gosto pelo ritual e o espetáculo sangrento, conspiração e exibicionismo, é pura pompa pagã. Unindo primitivismo noturno a elegância de linha apolínea, tornou-se o paradigma vivo da sensibilidade egípcia. O gato, fixando sua rápida energia predatória em poses de stasis apolínea, foi o primeiro a encenar o imobilizado momento de quietude conceitual que é a grande arte.”

Camille Paglia, em Personas Sexuais

sábado, 13 de outubro de 2012

TricicloPompeo eletriCIDADE :.

pompeo eletrico from Abrigodesign on Vimeo.


O Projeto FIEL (Forma Inteligente e Ecológica de Locomoção) surgiu da idéia de incorporar as vantagens de uma motocicleta, como: facilidade de manutenção, baixo consumo e agilidade, com as vantagens de um carro: conforto, segurança e espaço, em um veículo apenas. Como referência em transporte e mobilidade urbana o triciclopompeo incorporou as tecnologias eletronicas e a mobilidade eletrica a um sistema de transporte intermodal rápido e eficaz, ao implantar o sistema de "car sharing" a base de um veiculo hibrido alimentados por energias alternativas para circular pelo centro da cidade. A mobilidade elétrica terá um papel cada vez mais importante nos conceitos de trânsito com eficiência energética para as cidade verde e sustentável do futuro e pode ser combinada com a smart grid. Os carros elétricos e veículos híbridos oferecem uma forma de mobilidade que preserva recursos e não prejudica o ambiente, especialmente no que se refere ao transporte privado, O veiculo elétrico é uma solução de ruptura que permite oferecer mobilidade para todos com emissões zero de poluentes, visando progressos reais em termos ambientais .Essa ruptura ja é mantida e acompanhada por uma vontade politica mundial, principalmente atravéz de subssidios fiscais baseados nas emissoes de co2 e do desenvolvimento das infraestruturas nescessarias à mobilidade elétrica ! O POMPÉO é um carro urbano por excêlencia para usuarios das cidades que buscam uma mobilidade pratica eficaz - : .http://www.tricilopompeo.com.br

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O Rio de Janeiro continua sendo :. Ruy Castro - O sonho real



RIO DE JANEIRO - Tomei meu pai pelo braço e levei-o a ver o Rio de seu tempo sendo restaurado, remodelado, retrofitado. Era um passeio a pé, como muitos que fez comigo quando eu era criança e ele, um homem de terno e responsabilidades. A diferença é que, agora, em 2012, era eu que o conduzia, mostrando-lhe as novidades -prédios, quarteirões, ruas e bairros inteiros sendo trazidos de volta a um esplendor que ele conheceu.

E não são apenas projetos, como já se fizeram muitos e ficaram no papel. São para valer -as obras são palpáveis, estão à vista e algumas, já infernizando o trânsito. O Rio dos imperadores, escravos, meirinhos, cocotes e capadócios, de Maneco de Almeida a Machado de Assis, se encontra com o dos presidentes, estivadores, cronistas, manequins e sambistas, de João do Rio a Marques Rebelo, e ambos chegarão até nós, que só os conhecemos sob o desprezo de governos sem compromisso com a cidade.

Abandonado há décadas, o centro histórico e profundo está sendo passado a limpo. Cabeças-de-porco à beira do desabamento renascem para se tornar estúdios, hostels, museus, ou para receber empresas cujas especialidades seriam incompreensíveis para seus moradores originais. Orgulhoso, levo meu pai pelo Catete, Glória, Lapa, Santo Cristo, Gamboa e outros bairros que foram seus territórios nos anos 30 e 40 e em que brincou tantos Carnavais.

Ele morreu em 1983, aos 73 anos. O passeio acima aconteceu num sonho que tive nesta semana. Por fim, chegamos à praça Tiradentes na hora do lusco-fusco, com os lampadários acesos, a vida piscando e um aroma de euforia. A multidão o impressionou, mas o lufa-lufa era fascinante. Um bonde passou apinhado, todo iluminado por dentro. Foi tão mágico que o sonho acabou ali.


O bonde e meu pai continuarão no sonho. Mas este novo velho Rio é real.:.





*folha de SP 28-09-*** - O sonho real, Ruy Castro

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Cinquenta tons de cinza:. A Arte de nosso tempo!




Uma leitura possível da história das artes visuais de que resultaram as manifestações contemporâneas identificará a invenção da fotografia como um fator decisivo desse processo.
A crítica, de modo geral, há muito associa ao surgimento da fotografia a mudança da linguagem pictórica, de que resultou o movimento impressionista. 
É uma observação pertinente, desde que se tenha o cuidado de não simplificar as coisas, ou seja, não desconhecer a existência de outros fatores que também influíram nessa mudança. Um desses fatores foi a descoberta da cor como resultante da vibração da luz sobre a superfície das coisas. 
Noutras palavras, o surgimento do impressionismo que constituiu uma ruptura radical com a concepção pictórica da época estava latente na pintura de alguns artistas de então, como, por exemplo, Eugène Delacroix e Édouard Manet, que já anunciavam a superação de certos valores estéticos em vigor. Não resta dúvida, no entanto, que a invenção da fotografia, por tornar possível a fixação da imagem real com total fidelidade, impunha o abandono do propósito de conceber a pintura como imitação da realidade. 
Se tal fato não determinou, por si só, a revolução impressionista, sem dúvida alguma libertou a pintura da tendência a copiar as formas do mundo real e, assim, deixou o pintor livre para inventar o que pintava. 
Pretendo dizer com isso que, se a cópia da realidade, pela pintura, se tornara sem propósito, isso não implicaria automaticamente em pintar como o fez Monet, ao realizar a tela "Impression, Soleil Levant", que deu origem ao impressionismo. Poderia ter seguido outro rumo.
Mas, se o que nasceu naquelas circunstâncias foi a pintura impressionista, houve razões para que isso ocorresse. E essas razões, tanto estavam implícitas na potencialidade da linguagem pictórica daquele momento, como no talento de Monet, na sua personalidade criadora. É que assim são as coisas, na vida como na arte: fruto das probabilidades que se tornam ou não necessárias. 
A verdade, porém, é que, se não houvesse surgido uma maneira de captar as imagens do real de modo fiel e mecânico, o futuro da pintura (e das artes visuais em geral) teria sido outro. A pintura, então, livre da imitação da natureza, ganha autonomia: o pintor então podia usar de seus recursos expressivos para inventar o quadro conforme o desejasse e pudesse. 
Como consequência disso, não muito depois, nasceram as vanguardas artísticas do século 20: o cubismo, o futurismo, o expressionismo, o dadaísmo, o surrealismo todos eles descomprometidos com a imitação da realidade. 
Mas essa desvinculação com o mundo objetivo terá consequências: a liberdade sem limites levará, de uma maneira ou de outra, à desintegração da linguagem artística, particularmente a da pintura. 
Os dadaístas chegam a realizar quadros mais determinados pelo acaso do que por alguma qualquer intenção deliberada do autor. E se a arte podia ser fruto de tamanha gratuidade, não teria mais sentido pintar nem esculpir. O urinol de Marcel Duchamp é resultado disso. Por essa razão, ele afirmou: "Será arte tudo o que eu disser que é arte". Ou seja, tudo é arte. Ou seja, nada é arte. 
Por outro lado, a fotografia, que nasceu como retrato do real, foi se afastando dessa condição e, como a pintura, passou também a inventá-lo. Por outro lado, ela ganhou movimento e se transformou em cinema, que tem como principal conquista a criação de uma linguagem própria, totalmente distinta da de todas as outras artes. 
Cabe aqui uma observação: a pintura não apenas fazia o retrato das pessoas, como também mostrava cenas da vida, como as ceias, os encontros na alcova, as batalhas, os idílios etc. Quanto a isso, mais que a fotografia, o cinema criou, com sua linguagem narrativa, um mundo ficcional, que nenhuma outra arte e tampouco a pintura é capaz de nos oferecer. 
A meu ver, a fotografica embriao do cinema, superando as artes matematicas, é a grande arte tecnológica, que criou uma linguagem própria condição essencial para que algo seja considerado arte--, geradora de um universo imaginário inconfundível, de possibilidades inesgotáveis, sofisticado e ao mesmo tempo popular. O cinema é, sem dúvida, a arte de nosso tempo:.

domingo, 23 de setembro de 2012

Marcelo Gleiser - Além da fronteira do Cosmos :..



Onde termina o Universo? A resposta depende de muitos fatores. Quando os cosmólogos afirmam que o Universo está em expansão, as pessoas imaginam uma espécie de explosão a partir de um ponto central, feito uma bomba. As galáxias que se afastam são como os detritos da bomba, voando pelo espaço.
Embora seja intuitiva, essa imagem está errada. A expansão do Universo é uma expansão do próprio espaço, o qual, após a teoria da relatividade geral de Einstein, ganhou plasticidade: ele pode se expandir, contrair-se ou se dobrar como um balão de borracha.
As galáxias -que, feito ilhas num oceano, são os marcos cósmicos de distância- são carregadas pela expansão do espaço. Se elas têm um movimento adicional, por exemplo, quando duas próximas se atraem gravitacionalmente, ele é superposto ao seu afastamento inexorável, causado pela expansão do espaço. Uma das consequências imediatas dessa expansão é que o Universo não tem um centro.
Imagine que você, da sua galáxia, observa outras à sua volta. Com a expansão do espaço, todas estão se afastando. A conclusão seria que a sua galáxia deve ser o centro de tudo -mas não é. Um observador numa outra galáxia vê todas as galáxias, inclusive a nossa, afastando-se dele. O mesmo com todas as galáxias. No Universo, todos os pontos são igualmente importantes.
Mas, se isso é verdade, como explicar a contração do espaço perto do Big Bang? Se o Universo agora está em expansão, no passado as distâncias eram menores. Astrônomos podem medir as velocidades de afastamento das galáxias e, passando o filme ao contrário, projetar quando elas estariam amontoadas em um volume mínimo.
Esse momento marca o início da nossa história cósmica, quando tudo começou -cerca de 13,7 bilhões de anos atrás, aproximadamente o triplo da idade da Terra.
Quando juntamos a história cósmica com a velocidade da luz, chegamos ao conceito de horizonte cósmico. Como a velocidade da luz define a da informação que recebemos, num Universo com idade finita só podemos receber informação de objetos situados até a distância que a luz percorreu nesse tempo. Feito a linha do horizonte, que marca quão longe enxergamos da praia
Mas o mar não termina no horizonte. E o Universo? Também não. Se o Universo não estivesse em expansão, a distância até o horizonte seria de 13,7 bilhões de anos-luz. Como o espaço estica com o tempo, ondas de luz pegam uma carona e podemos ver mais longe: o horizonte cósmico fica a cerca de 46 bilhões de anos-luz de distância.
Para além desse horizonte, podemos apenas especular. Pode ser que o Universo seja espacialmente infinito com uma geometria plana (feito o topo de uma mesa, mas em três dimensões) ou aberta (feito o topo de uma sela de cavalo, mas em três dimensões, difícil de visualizar).
O Universo também pode ser fechado, feito a superfície de um balão (mas em três dimensões), ou ter uma forma ainda mais estranha.A existência do horizonte sugere uma limitação séria: somos parcialmente cegos no que tange à estrutura cósmica. Além do horizonte pode até haver um multiverso. Mas nos certificar disso parece, ao menos por ora, muito difícil, se não impossível.

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor de "Criação Imperfeita".

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O Projeto FIEL (Forma Inteligente e Ecológica de Locomoção) surgiu da idéia de incorporar as vantagens de uma motocicleta, como: facilidade de manutenção, baixo consumo e agilidade, com as vantagens de um carro: conforto, segurança e espaço, em um veículo apenas.