sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Adeus aos quintais e à memória urbana:: Milton Hatoum


Adeus aos quintais e à memória urbana


No Recife e em Manaus - metrópoles do Nordeste e Norte -, o quintal das casas está sendo substituído por um piso de cimento ou lajotas. Em Boa Viagem, bairro recifense, uma muralha de edifícios projeta uma extensa área de sombra na praia, de modo que os banhistas têm que se contentar com estreitas línguas de sol. No país tropical, luz e sombra projetam-se em lugares trocados.

Ainda mais grave é o caso de Manaus, onde o apagamento da memória urbana parece irreversível. Na década de 1970, um coronel do Exército, nomeado prefeito, mandou derrubar mangueiras centenárias que sombreavam ruas e calçadas. Como se isso não bastasse, esse prefeito, talvez possuído pelo espírito demolidor do barão Haussmann, destruiu praças da cidade para abrir avenidas.

O mais irônico, tristemente irônico, é que a imensa maioria dos prefeitos e vereadores da era democrática não pensa na relação da natureza com a cidade. Hoje, em certas horas do dia, é quase impossível caminhar em Manaus. Não há árvores, e as calçadas são estreitas e esburacadas. Até mesmo os feios oitizeiros, essas árvores que Mario de Andrade detestava, têm seus dias contados. Em 1927, quando o autor de Macunaíma passou por Belém, hospedou-se no Grande Hotel, em cuja varanda chupitou, extasiado, um sorvete de bacuri. Esse imponente edifício neoclássico da capital paraense - uma joia arquitetônica do Brasil - também foi demolido durante o governo militar. Um prédio feio de doer os olhos substituiu o Grande Hotel no coração de Belém, essa bela cidade evocada em poemas de Manuel Bandeira e Max Martins.

Quase toda a arquitetura histórica das nossas cidades foi devastada. O centro de São Luís, pobre e abandonado, é uma promessa de ruínas. Vários casarões e edifícios de Santos, erguidos durante o fausto da economia cafeeira, foram demolidos. Até a belíssima paisagem em relevo do Rio está sendo barrada por edifícios altíssimos. Na cidade de São Paulo, não restou muita coisa da história urbana. E em vários bairros paulistanos de classe média há inúmeros edifícios e calçadas sem uma única árvore.

O desprezo à natureza e à memória das nossas cidades se acentuou a partir da década de 1960, quando a industrialização e o adensamento urbano adquiriram um ritmo acelerado e caótico. Essa urbanização selvagem destruiu edifícios históricos de quase todas as cidades brasileiras. Penso que isso alterou para sempre nossa relação com a natureza e com a própria história das cidades. Paradoxalmente, proliferam bairros pobres e favelas com nomes de Jardim, como se essa palavra atenuasse a feiura da paisagem e a vergonhosa arquitetura dos conjuntos de habitação popular.

Poucos monumentos e áreas históricos sobreviveram à voracidade dos construtores de caixotes verticais com fachadas de vidro fumê: uma arquitetura de fisionomia funérea, tão medonha que é melhor olhar para as nuvens, ou fechar os olhos e sonhar com Buenos Aires.

Talvez alguns políticos e donos de empreiteiras sintam ódio ao nosso passado: ódio inconsciente, mesmo assim verdadeiro; ou talvez não sintam nada, e toda essa barbárie seja apenas uma mistura de ganância, ignorância e desfaçatez.

Outro dia uma amiga me contou que havia sonhado com o futuro das nossas metrópoles e florestas. "Foi um pesadelo", ela disse. "As cidades e florestas inexistiam ou eram invisíveis. A visão do futuro era um monstro bicéfalo: eclipse solar e deserto."

Sexta, 09 de Dezembro de 2011, 03h10
Milton Hatoum

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Inovação ou Novidade :. RONALDO DE BREYNE SALVAGNI

Precisamos de empresas nacionais preparadas o suficiente para competir(& vencer) na Arena Global:.

Inovação nem sempre é bom. Há inovações ruins, como a recente "tomada elétrica brasileira" de três pinos, uma "jabuticaba" que só existe no Brasil, é muito mais cara que as outras, não é compatível com nada, não tem vantagem técnica nenhuma e foi boa apenas para o lobby dos fabricantes locais de tomadas (e adaptadores!).

Em termos de setores industriais, podemos identificar quatro cenários possíveis num país:

Cenário1: o produto é simplesmente importado e vendido no mercado local;

Cenário 2: o produto é fabricado e vendido no país, com projeto e tecnologia vindos de fora, eventualmente com pequenas adaptações às condições locais.

Ocorre a geração de empregos, porém de baixa qualificação e baixa remuneração. Neste cenário não ocorre desenvolvimento tecnológico nem inovação - podem vir "novidades" de fora, mas isso não é inovação. Esse é o cenário industrial típico no Brasil;

Cenário3: a concepção e o projeto do produto são desenvolvidos no país, com tecnologias vindas de fora. Exige pessoal mais qualificado e tem melhor remuneração.

A rigor, também ainda não ocorre inovação, pois são realizados projetos de engenharia normais de produtos, empregando tecnologias comuns já existentes;

Cenário4: há pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, que serão utilizadas nos futuros projetos de produtos.

Aqui, sim, ocorre a inovação, criando tecnologias e produtos que não existiam antes. Há criação de empregos de alta qualificação e remuneração, nos níveis de mestrado e doutorado.

Há alguns poucos exemplos no Brasil de empresas que atuam no cenário 4. É o caso da Embraer, da Petrobrás, da Embrapa e,mais recentemente,da Vale do Rio Doce. Elas se destacam pela inovação e são fortes competidoras mundiais em suas respectivas áreas de atuação. Desenvolvem pesquisa científica e tecnológica aqui, interagindo fortemente com universidades e centros de pesquisa brasileiros, por meio de convênios e contratos de dezenas e até centenas de milhões de dólares. Note-se que todas elas são empresas brasileiras.

Um exemplo diferente é dado pelo setor automotivo no Brasil, que está claramente no cenário 2. É um dos mais importantes setores industriais brasileiros, com 26 montadoras e cerca de 500 fornecedores de autopeças.

Contribui com 22,5% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial e 5,2% do PIB total do País. E emprega 1,5 milhão de pessoas.

Apesar disso tudo, com raras exceções, os projetos dos carros vêm de fora e são apenas adaptados e fabricados aqui. Praticamente não há atividade de pesquisa e desenvolvimento locais, muito menos inovação.

Cabe observar que, entre os dez países maiores produtores de veículos no mundo, o Brasil ocupa o 6.º lugar e é o único que não tem uma montadora nacional própria.

Entre os fornecedores de autopeças, todos os maiores também são empresas estrangeiras.

O setor automotivo não é exceção.

O Brasil, com a "política de substituição de importações" adotada por sucessivos governos desde a década de 1950,está parado no cenário 2 na grande maioria dos seus setores produtivos.

Fechar o mercado e taxar importações como pretexto de" proteger a indústria brasileira" (curiosamente incluindo nisso as multinacionais instaladas aqui) só leva à estagnação do desenvolvimento local. Não há ambiente nem razão para fazer inovação aqui - as multinacionais o fazem no seu país de origem, e as empresas nacionais locais apenas trazem as "novidades" de fora.

Já países como o Japão, a Coreia e, agora, a China (ver The New York Times em http://nyti.ms/dL2zp3), em vez de meramente substituir importações, adotaram uma política de produção industrial voltada para a exportação, o que expôs suas indústrias à competição internacional eforçouseudesenvolvimentode forma fantástica.

Alguns fatos que devem ser considerados:

- inovar é caro e arriscado, e a empresas o mente vai investirem inovação se precisar disso para sobreviver;

- a inovação só ocorre num ambiente de livre competição global.

Na antiga União Soviética, por exemplo, os mesmos modelos de automóveis foram produzidos por mais de 30 anos sem inovação alguma;

- apesar de cara e arriscada, a inovação é estratégica para a empresa, e normalmente esta vai fazer isso no seu país de origem;

- a necessidade de inovação é que gera a demanda por mestres e doutores. Não adianta inverter isso e investir na formação de mestres e doutores - se a demanda não existir previamente, vai haver apenas formação de desempregados;

- e o cenário 4 corresponde a uma situação de autossuficiência tecnológica, independência e liderança no respectivo setor produtivo global. É nesse cenário que ocorre a inovação.

Assim, se desejarmos chegar ao cenário 4 e desfrutar da respectiva "inovação",não há outro jeito, precisamos ter empresas nacionais (privadas), apoiadas e incentivadas, suficientemente preparadas para competir com (e ganhar das) empresas estrangeiras na arena global. Ou pelo menos termos multinacionais que instalem a quinhentos de pesquisa e tecnologia e façam parcerias de valores substanciais com universidades e centros de pesquisa locais.

Se não for assim, melhor deixar a inovação para lá e nos contentarmos com as "novidades".

28 de novembro de 2011 RONALDO DE BREYNE SALVAGNI::Educação e Ciências | O Estado de S. Paulo | Economia | BR * ENGENHEIRO NAVAL, DOUTOR EM ENGENHARIA, É PROFESSOR TITULAR DA ESCOLA POLITÉCNICA DA USP imagem::www.triciclopompeo.com.br

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Urbanismo essa ourivesaria::Christian Carvalho Cruz


Na quarta-feira, 72 horas depois de ocupar a favela da Rocinha sem disparar um tiro e sem prender nenhum bandido, um comandante do Bope explicava "as novas regras" do pedaço: "É um tempo novo, mas não existe toque de recolher. Todo mundo pode tudo. Só tem que respeitar os direitos dos outros. Tem que ser como nos bairros". Nada como um português claro e direto para dar conta de uma relação - morro versus asfalto - que embaralha o Rio de Janeiro há tanto tempo.

Não fosse um pernicioso detalhe: justamente o hábito de tratar como mundos separados as diversas formas de cidade que se ergueram na cidade, o aqui e o lá. Porque foi nesse caldo meio envenenado que se proibiu a presença do lá nos mapas municipais, se impediu a polícia de entrar lá, se entendeu o lá como algo transitório, sem valor, e pronto para desaparecer ao menor sinal de crescimento econômico. Por isso, a presença do Estado nas favelas por meio das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) pode representar o começo de uma inversão histórica, desde que, junto da polícia e dos serviços públicos básicos, também mandem para lá um bom bocado de urbanismo, como defende o arquiteto Sérgio Magalhães.

Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele foi secretário municipal de Habitação no Rio por sete anos, de 1993 a 2000. Ajudou a conceber e implantar o Programa Favela Bairro, que interveio urbanisticamente em 150 favelas, muitas vezes eliminando a fronteira visível entre o que é lá e o que é aqui. Nesta entrevista ao Aliás, Magalhães diz que, passados três anos da primeira UPP, já se nota no Rio certo relaxamento no medo e o retorno da vontade de reocupar os espaços públicos. Ele também fala da necessidade de a cidade se compactar em vez de se expandir, ser mais centro e menos Barra, e, com um português polido feito granito, empareda a estética atual: "São poucos os arquitetos que valorizam o entorno hoje em dia. Basta olhar as revistas e os folhetos: é a arquitetura do lote esmagando a arquitetura da cidade. Cada um quer fazer da sua pequena obra a única obra-prima do mundo".

Quando uma favela é pacificada começam os apelos para que o Estado, além de polícia, leve até ela os serviços públicos essenciais. No caso da Rocinha, que grande parte dos moradores vivendo em becos e vielas, é possível levar urbanismo também?

Sim, tornou-se possível fazer projeto urbanístico em favelas desde que o conceito de urbanismo assumiu como premissa o reconhecimento da preexistência de diversas formas de cidade na cidade. Hoje nós podemos e devemos reconhecer os espaços construídos pelos diferentes modos sociais e fazer com que eles sejam preservados e capazes de responder às exigências da vida urbana atual. Por muito tempo prevaleceu a ideia de que a cidade herdada é ruim. Os modernos acreditavam que a cidade projetada, assentada na regularidade e na previsibilidade, determinaria uma nova sociedade, pois teríamos controle sobre um futuro em que todos seríamos felizes. Só que o futuro hoje incorpora a incerteza, a possibilidade de não dar certo. Então, nossos projetos urbanísticos não podem mais pairar sobre as experiências concretas da sociedade, não temos mais legitimidade para impor soluções desse modo. Devemos levar em conta a multiplicidade espacial produzida por diversas culturas em variadas condições geomorfológicas e em tempos diferentes. As diferenças têm valor, representam histórias e identidades. E a favela é uma dessas expressões. Temos que reconhecer essas preexistências e intervir nelas, em vez de abandoná-las.

Por onde você começaria um projeto de urbanização na Rocinha?

É uma tarefa difícil, porque não pode ser singela, mas ao mesmo tempo demanda certa delicadeza. Não dá para chegar lá com buldôzeres destruindo tudo. O mais importante é que as intervenções sejam compartilhadas com os moradores. Elas não podem ser impostas, devem ser desejadas. Então, eu cuidaria da drenagem de águas pluviais, dos esgotos e do alargamento das ruas, para reduzir riscos e insalubridade, melhorar a circulação e facilitar o acesso. Depois, e aí serve para as favelas brasileiras em geral, precisamos de um plano de governo que corresponda a uma melhoria das habitações. Não basta encomendar obras para uma empreiteira mudar a casa das pessoas. É reconhecer que as pessoas que construíram suas casas ali em condições precárias, se tiverem apoio financeiro (crédito, não doação) e orientação podem transformar suas moradias em locais salubres. Para isso, deve haver uma intervenção miúda do poder público para que algumas casas deem lugar a uma melhor ventilação e insolação. É um trabalho de ourivesaria urbanística que deve ser programado para levar muito tempo, sob formas delicadas e permanentes de atuação.

A estética deve ser considerada?

Alguma pirotecnia arquitetônica é necessária, porque a imagem ajuda na redução dos preconceitos e no fortalecimento da autoestima. Mas a dosagem deve ser bem calibrada. Uma boa escola com elemento técnico contemporâneo, uma biblioteca bem feita, uma subprefeitura vistosa seriam símbolos importantes, desde que não se tornassem espetáculo cosmético. Se espetacularizarmos não vamos conseguir universalizar. Precisamos fazer com que essas intervenções alcancem o conjunto da sociedade, que não sejam episódicas e localizadas, tratadas como cartão-postal. Não é o momento para isso.

As UPPs estão ajudando a mudar o velho discurso da remoção de favelas?

Penso que sim. As UPPs contribuem para a melhor compreensão de que favela é parte integrante da cidade. Representam a Constituição vigorando em todo o território nacional, garantindo os direitos civis e a prestação de serviços que só o Estado tem a atribuição de prestar. Explicitam de um modo muito inteligível para todos que as cidades brasileiras têm que ter, todas elas, um patamar de civilização mínimo. Se o governo não entra, não permanece, não implanta infraestrutura, quaisquer que sejam as condições iniciais o lugar fica deteriorado. Independentemente de ser favela, conjunto residencial ou bairro rico. Sem manutenção da rede de esgoto, da iluminação das ruas, sem coleta de lixo, até Ipanema se torna um local difícil de morar.

Além da presença de bandidos e do preconceito, o que mais prejudica a interação entre favela e asfalto?

A noção de que a favela é o lugar da violência. Estudiosos diziam, e alguns ainda pensam assim, que, quando a favela deixasse de ser dominada pelos bandidos e o Estado passasse a tomar conta, ela deixaria de ser favela. Ora, a violência não é exclusividade da favela. Quando ser dominado por bandido passa a ser sinônimo de favela, independentemente de histórica ou morfologicamente se tratar de uma favela, isso contamina a compreensão sobre a possibilidade de urbanizarmos aquele local. Porque, para a população em geral, se o bandido não sai, não deixa de ser favela. Então, quando uma UPP devolve um território para a Constituição brasileira, isso desmonta preconceitos e desconstrói essa identificação de determinada forma urbana com a violência. Já ficou evidente que só pode haver futuro para a cidade se os governos retomarem territórios dos bandidos. Isso parece óbvio hoje, mas não era poucos anos atrás. A ideologização da cidade, talvez por causa da falta de democracia no regime militar, nos fez passar um longo período acreditando que ter Estado, polícia, segurança, tudo isso era uma repressão indesejável, era ditadura - o que nos fez muito mal. No governo Brizola se impediu que a polícia entrasse nas favelas, por exemplo. Em 1937 foi baixado um decreto proibindo que elas constassem do mapa da cidade, e assim ficou assim até os anos 90. São duas claras evidências da ideia de que favela era uma coisa transitória, pronta para desaparecer assim que houvesse desenvolvimento econômico. Essa esperança pela finitude da favela prevaleceu durante um século inteiro. Um século inteiro de erro de avaliação.

Saindo os bandidos e entrando o urbanismo, o asfalto vai passar a subir o morro?

Vai ser tão normal quanto mudar de bairro. A relação é a mesma. Se eu não vou nunca à Penha, eu não vou a uma favela ali só porque ela está pacificada e urbanizada. Mas quem já é do bairro pode ir, seja em busca de um ótimo bolinho de bacalhau, seja para levar os filhos para brincar em uma nova praça. Só que há favelas e favelas. O Vidigal, por exemplo, eu tenho certeza de que atrairá muito interesse nas próximas décadas. Uma vez pacificado e com boas condições urbanísticas, ele vai se tornar um local privilegiadíssimo, porque se trata de um sítio esplendoroso, de características geomorfológicas espetaculares. Na experiência do Favela Bairro eu vi integrações imediatas. Há uns 15 anos, depois de uma intervenção urbanística na favela Fernão Cardim, no Méier, levei o Millôr Fernandes para ver. A primeira pergunta que ele me fez ao chegar foi: "Mas onde é que começa e onde é que termina a favela?" Antes, aquilo era um rio infecto de esgotos com as casas nas margens. O rio foi canalizado, foi construída uma rua, praça, os bairros do entorno já tinham uma característica popular, então o trabalho ali deu cabo das fronteiras antes tão rígidas. No Parque Royal, Ilha do Governador, a rua que dava acesso à favela não tinha prosseguimento e, para chegar lá, você passava por um conjunto residencial da Marinha. A favela era completamente isolada. O Favela Bairro construiu ruas, as palafitas junto a Baía de Guanabara deram lugar a uma ciclovia e as famílias receberam material para a construção de suas casas de alvenaria. Em dois anos a mudança foi radical: houve uma inserção econômica enorme, porque as pessoas passaram a ter acesso a serviços dos profissionais que lá moravam.

É possível formalizar tudo que é informal numa favela como a Rocinha, do ‘gatonet’ à birosca sem alvará?

É possível. Mas não pode ser algo draconiano. Tem que haver uma transição. Não vamos exigir que em favela pacificada não haja mais informalidade nenhuma, porque a cidade não é assim. Com o tempo as diferenças entre formalidade e informalidade vão diminuindo. Por exemplo, você varre a sua rua? Não varre. Quem o faz é o serviço público. Então, não vamos esperar que na favela a varrição das ruas seja feita pelos moradores. A cultura é a mesma. Não se identificam diferenças culturais significativas entre quem mora na favela e quem mora no asfalto, dadas as mesmas condições de renda. Entre a Rocinha e a zona sul há mais identificação do que entre a Rocinha e uma favela na zona norte. O conflito é urbanístico, não cultural.

Como anda a autoestima do carioca com o processo de pacificação de favelas?

Mudou completamente. O carioca vive muito fortemente o espaço público, que, com segurança, é o lugar certo para se estar. Afinal, cidade é para isso, para as pessoas se encontrarem. A interação se dá de maneira mais plena no acaso, sem programação. Então, os cariocas que se escondiam com medo da violência agora já percebem uma condição melhor e, portanto, se expõem e circulam mais. Isso não representa apenas uma melhoria particular para o indivíduo. É um avanço para a cidade como um todo, pois ela se sente mais à vontade para investir, para reformar uma fachada de loja, pintar uma casa. Isso cria um círculo virtuoso de recuperação que ajuda o Rio a ter uma das menores taxa de desemprego do País atualmente. Há outras razões, é claro, mas uma delas, importantíssima, é essa capacidade de absorver valores positivos e potencializar essa predisposição para viver melhor. Há um sentimento de que as coisas estão mais fáceis, como eram quando eu vim do Rio Grande do Sul, 42 anos atrás. Quando cheguei, me espantou o fato de minhas amigas irem para casa de ônibus tarde da noite, sozinhas, depois do bar ou do cinema. Nós não tínhamos isso na minha cidade, Bagé, muito menor e mais pacata. O Rio era um lugar paradisíaco. E nos últimos 15 anos vem tentando de tudo para recuperar seu ânimo. As UPPs são a resposta para um prolongado período de desencanto. Aquelas imagens dos bandidos fugindo do Morro do Alemão são um marco na história da cidade. Elas deixaram os traficantes em sua devida dimensão.

Copa do Mundo e Olimpíada podem melhorar ainda mais esse quadro?

Os grandes eventos têm esse poder, sim. As pessoas acham que é só por causa dos investimentos. Mas não é só isso. É como em arquitetura. Quando um projeto é percebido com clareza, ele aglutina esforços, cria uma vontade generalizada de ajudar. A Olimpíada sinaliza uma meta boa para a cidade, uma necessidade de preparação que atrai esforços, multiplica a vontade de participar.

Qual o maior desafio urbanístico do Rio?

Como em qualquer grande cidade brasileira que absorveu o modelo rodoviário de desenvolvimento, o território é pouco denso. Isso ocasiona custos muito elevados em serviços e equipamentos públicos e para a vida das pessoas. Não faz sentido continuar expandindo a cidade espacialmente. Ao contrario, ela precisa se tornar cada vez mais compacta. Senão não há dinheiro que chegue para que os bairros mais distantes tenham o mínimo de condições. Se não refletirmos sobre isso vamos seguir por rotas que inviabilizam a democratização das cidades. E compactar não é construir edifício alto. Paris é uma cidade densa, mas com prédios de seis andares. Para mim, o lugar mais agradável do Rio é o pedaço de Ipanema que vai da Rua Visconde de Pirajá à Lagoa. São quarteirões regulares e os prédios têm cinco andares. O adensamento é alto, de oito metros quadrados de terreno por habitante. Na Barra são 120 metros quadrados por pessoa. Precisamos refletir sobre isso, e a hora é agora, porque as cidades estão parando de crescer demograficamente. A ideia de que teríamos crescimento populacional infinito está superada, já estamos tendendo à estabilidade. Não precisamos obrigar quem saiu na expansão a retornar. Mas temos que exigir que os governos não permitam o aumento do território, porque dentro do perímetro central ainda existem muitas áreas capazes de suportar o dobro ou o triplo da população que está lá.

Grandes metrópoles como Rio e São Paulo ainda são suscetíveis a drásticas intervenções urbanísticas como no passado?

O Rio tem um plano grande para a zona portuária. São 1 milhão e 100 mil metros quadrados de terreno praticamente ocioso, porque o porto já não está mais ali. Uma área bem localizada, no centro. Como a maior parte, 65%, é pública, os três níveis de governo fizeram um acordo para viabilizar seu aproveitamento. O plano é que a área seja ocupada, sobretudo, por construções comerciais. Quando surgiu a Olimpíada, veio a crítica de que ela estava muito concentrada na Barra. A prefeitura então concordou que parte dessa zona portuária passasse a ser de interesse olímpico. Então vai se erguer ali a Vila dos Árbitros e a Vila da Mídia, o que significam 12 mil quartos, ou 6 mil unidades habitacionais. Surgirá um bairro novo para ajudar a resgatar o centro, que tem 450 anos de história, é de onde se veem os principais símbolos naturais da cidade e é o local da identidade coletiva carioca. O centro valorizado atrairá a reformulação da rede de trens, da zona norte suburbana e dos bairros vizinhos. Isso pode redirecionar o desenvolvimento da cidade, torná-la aglutinadora novamente.

Alguns colegas seus têm criticado a estética, ou a falta dela, nas novas construções que estão surgindo no Rio.

Não é exclusividade do Rio. A arquitetura do edifício está com esse problema grave atualmente. São poucos os arquitetos que valorizam o entorno. Se você pega as revistas vê que os projetos aparecem inseridos no lote, não na paisagem. É a arquitetura do lote esmagando a arquitetura da cidade. Cada um quer fazer da sua pequena obra a única obra-prima do mundo, então cada um tem que ter a sua mais abundante iconografia possível que simbolize tudo: progresso, desenvolvimento, sustentabilidade. Mas só na sua obra. Mais ou menos como aquele quadro do Andy Warhol com as 30 Monalisas. É a banalização da obra-prima. O que está por trás disso? Um pouco de vaidade, de incultura e questões de custo. Mas, principalmente, o fato de estarmos vivendo o tempo do indivíduo. O raciocínio é assim: "O que vale sou eu. E a cidade é o outro, portanto não me interessa":.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O que é o espaço? Marcelo Gleiser:.

O espaço vazio não existe: há um vácuo de flutuações de energia capazes de criar partículas de matéria

De vez em quando é bom parar e refletir sobre coisas que pensamos ser triviais. Com frequência, descobrimos que o que tomamos como simples é bem mais complicado do que parece. Esse é o caso do conceito de espaço na física e na matemática. Todo mundo tem uma noção intuitiva de espaço: é o que separa as coisas. Sem ele, tudo estaria embolado no mesmo lugar. Portanto, de acordo com essa definição, para entender o que é espaço implicitamente precisamos de outros objetos. Obviamente, é difícil compreender o que é o espaço vazio, já que nesse caso não existem objetos distantes entre si. Mas conhecemos intuitivamente o seu significado: uma região sem qualquer matéria. Ou seja, para definirmos espaço, vazio ou não, precisamos de matéria. Na matemática, espaço é uma construção abstrata, uma invenção para definir distâncias entre dois ou mais pontos ou entre dois ou mais objetos. É importante lembrar que espaço é uma invenção e que não tem, a princípio, uma existência física. Espaço não é uma coisa. Ou é? Na física moderna, a história fica mais complicada e bem mais interessante. Para Newton, o criador das leis da mecânica e da gravidade, o espaço é uma espécie de palco onde se desdobra o drama da natureza. Os fenômenos ocorrem sem afetar o palco, que está lá apenas para permitir que objetos interajam entre si. Por exemplo, o Sol e a Terra ou você e uma cadeira. Com Einstein e a relatividade, tudo muda. Einstein mostrou que o espaço não é inerte: ele responde à presença de matéria, sendo uma entidade plástica e não rígida como supôs Newton. Quando, no final do século 17, Newton explicou a atração gravitacional entre dois corpos, imaginou o espaço entre eles como sendo irrelevante. O que importava era a massa dos corpos e a distância entre eles. Para Newton, a gravidade age através do espaço, uma influência um tanto misteriosa que atua à distância: o Sol não precisa tocar na Terra para influenciá-la. Einstein mudou isso, sugerindo que o espaço em torno de objetos é distorcido em proporção à sua massa e densidade. Quanto mais denso um corpo, maior sua atração gravitacional e maior a distorção que causa no espaço à sua volta. Para Einstein, o espaço deixou de ser apenas palco e virou ator também. Mas mesmo para Einstein o espaço vazio ainda seria o espaço sem qualquer objeto material e, portanto, com geometria plana. Com a física quântica, houve uma nova mudança na compreensão do que seria o "vazio". No mundo dos átomos e das partículas subatômicas, tudo existe num estado de agitação constante: um elétron nunca para no mesmo lugar. Portanto, sempre haverá algum movimento. Existe uma probabilidade de que mesmo no espaço vazio, uma flutuação de energia possa criar partículas de matéria. A física quântica permite uma violação temporária da conservação de energia. Partículas podem aparecer do espaço vazio (ou vácuo), contanto que se desintegrem outra vez, numa dança constante de criação e destruição. Ou seja, de acordo com a física quântica, o espaço vazio não existe. Há um vácuo pleno de flutuações de energia capazes de criar partículas de matéria, mesmo que por apenas alguns instantes. O espaço vira uma coisa que pode criar.

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor de "Criação Imperfeita".

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A linguagem universal - design desires :.




A linguagem universal
Como um cientista social revolucionou o design gráfico
RESUMO A representação de pessoas e objetos em sinais gráficos para orientação espacial foi criada nos anos 1930 com a intenção utópica de facilitar e universalizar a comunicação não verbal. Livros narram vida e obra de seu criador e compõem repertórios de logotipos e "ex-líbris", gravuras que identificam bibliotecas.

STEVEN HELLER
tradução CLARA ALLAIN

Nós as vemos em aeroportos, hospitais e repartições públicas, em salas de espera e banheiros, em entradas e saídas: silhuetas esquematizadas de homens, mulheres e crianças. Esses ícones gráficos se caracterizam pelo estilo geométrico simples e reconhecível de imediato. São onipresentes, mas poucos sabem suas origens.
Os protótipos dessa linguagem pictórica foram desenvolvidos na década de 1930, no Museu de Sociedade e Economia, em Viena, por Otto Neurath [1882-1945], cientista social esquerdista especializado em economia política. O sistema de símbolos que ele criou, que ficou conhecido como Isotype (Sistema Internacional de Educação Pictórica Tipográfica), nasceu do desejo de revolucionar o entendimento entre povos e instituições.
O fato de um economista político ter feito história no design gráfico não é aleatório. Neurath "queria familiarizar e educar a classe trabalhadora em relação aos sistemas mais amplos de ordem que operam na cidade contemporânea", escreve o crítico Nader Vossoughian em "Otto Neurath: The Language of the Global Polis" [NAi Publishers, 176 págs., R$ 82,70], biografia compacta e muito pesquisada que explica a filosofia visual de Neurath no contexto de suas preocupações sociais e ambientais.
Neurath buscou criar "um sistema de representação gráfica que tornasse dados estatísticos legíveis e acessíveis a públicos de massa não especializados", para "lançar uma ponte entre a leitura e a visão, num esforço para acelerar a transmissão de informação". Seu sistema de imagens redutivas, que mostrava pessoas por características estereotipadas (trabalhadores braçais com martelos, funcionários de escritório com máquinas de escrever, lavradores com enxadas), criou imagens tão facilmente reconhecíveis que as palavras ficaram supérfluas.
A gama era tão ampla e os diagramas de construções e máquinas tão variados que qualquer ideia poderia ser expressa por uma ou mais imagens combinadas.

ESTATÍSTICAS Neurath pode não ser tão conhecido, mas tem importância maior no mundo das estatísticas visuais. Outros livros sobre sua obra saíram nos últimos dez anos, mas o de Vossoughian é particularmente útil. Traz uma quantidade generosa de ilustrações nunca antes vistas (incluindo propostas e esboços) e decompõe as preocupações de Neurath (comunidade, democracia e globalismo) em categorias temáticas. Cada uma delas contribuiu para uma narrativa que ele acreditava poder se tornar mais transparente com o uso de suas imagens. O homem "recebe sua educação pelos meios mais cômodos, especialmente em seus períodos de descanso, por meio de impressões óticas", ele escreveu. Segundo Vossoughian, Neurath acreditava que "a disseminação de imagens podia fomentar a Bildung, ou seja, a educação e autoatualização".
Um bom exemplo de como os símbolos Isotype foram usados para elevar a conscientização popular é encontrado em "Modern Man in the Making", obra de Neurath publicada em 1939; ela ilustra lindamente os meios que ele criou para mostrar dados, de outro modo impenetráveis, em imagens enxutas e de fácil assimilação. Vossoughian mostra que Neurath é o pai da tendência de uso de infográficos, tanto em meios de comunicação impressos como na internet.
Neurath ajudou a aprimorar as comunicações com seu altruísmo. Para muitos designers, porém, a criação de símbolos ou logotipos não passa de uma atividade rentável. Por que o custo de desenhar uma insígnia pode chegar à casa dos milhões? Porque os logotipos são mais do que meras marcas de identificação. São ícones sagrados, ou, como disse Paul Rand, o criador de logotipos da IBM e da Westinghouse, são patas de coelho, emblemas do incalculável.

SÍMBOLOS
Nos séculos 20 e 21, foram criados símbolos e signos mnemônicos em volume suficiente para encher um livro grosso. Angus Hyland e Steven Bateman compilaram mais de 300 páginas deles em "Symbol" [Laurence King, R$ 94,50], com mais de 1.300 logotipos classificados por categoria. São símbolos de todo tipo: de marcas abstratas, como as da Canal Metro (emissora espanhola) e do banco Chase Manhattan ao inconfundível pinguim da editora Penguin ou ao brasão heráldico de leão da polícia dinamarquesa.
Muitos, como o símbolo de "Watsu", "abreviação de 'water shiatsu'" (shiatsu na água), são tão difíceis de interpretar que nem a explicação ajuda. Outros são tão evidentes que o prazer de resolver uma charada visual se perde. É o caso do símbolo do Conselho de Estilistas de Moda da América, um coração em forma de bandeira dos EUA sendo costurada.
"Symbol" traz a devida parcela de símbolos fracassados, como o logotipo da KereKere (rede de restaurantes australianos cujo nome se refere ao costume de "dar sem esperar nada em troca"), que mostra uma espécie de xícara da qual sai vapor em forma de corações. Mas há símbolos inesquecíveis e atemporais, como o "olho" da CBS, criado por William Golden, e o retângulo do Centro Georges Pompidou, idealizado por Jean Widmer, que mostra a escada rolante externa subindo pela fachada do museu parisiense.

MARKETING
Como estudo comparativo, "Symbol" é instrutivo para designers e profissionais de negócios e de marketing; é interessante ver a razão entre ideias de vanguarda e convencionais.
Alguns motivos parecem impraticáveis como marcas, mas têm lógica quando vistos na página impressa. O rabisco aleatório e sem sentido do Parque de Atracciones de Madri, que "assinala a experiência emocionante de andar numa montanha-russa", teria enfurecido Otto Neurath, mas parece ter funcionado. Ficamos sabendo que um desenho ruim pode resultar num símbolo eficaz. Mesmo os logotipos mais complexos ou heráldicos de "Symbol" são redutivos. Para funcionar com eficácia, um logotipo precisa ser legível, seja ele grande como um outdoor ou pequeno como um colofão, a nota que assinala no fim de um livro informações sobre sua composição, tipologia etc.
Mas os ex-líbris, outra forma de marca identificadora, podem ser tão barrocos ou simplificados quanto deseja seu criador. Em "Ex Libris: The Art of Bookplates" [Yale University Press, 112 págs., R$ 39,90], Martin Hopkinson, ex-curador de gravuras na galeria Hunterian, da Universidade de Glasgow, explica que os ex-líbris, cuja origem remonta ao século 15 e significam "da biblioteca de", foram "um símbolo de prestígio e status na sociedade".
Segundo Hopkinson, "o ressurgimento na década de 1970 de ex-líbris de alta qualidade, desenhados por artistas, coincidiu com o 'revival' na Grã-Bretanha da técnica da xilogravura e de uma proliferação no mundo das artes da produção de múltiplos de todos os tipos". As gravuras do volume podem inspirar outro ressurgimento -possivelmente em forma digital.
Entre as reproduções impressionantes estão o retrato de 1524 desenhado por Albrecht Durer para o humanista de Nuremberg Willibald Pirckheimer; o ex-líbris de 1920 criado por Eric Gill para o pensador Ananda Coomaraswamy, obra-prima de simplicidade erótica que retrata uma cena do "Ramayana", e a xilo de uma cena rural feita por Lucien Pissarro em 1920 para ele próprio e sua mulher. Mas as que eu cobiço, pois remetem aos símbolos mais marcantes de Neurath e os de "Symbol", são as pranchas de 1923 do artista e poeta Sidney James Hunt, que foi secretário da Sociedade Inglesa de Ex-Líbris. Ter uma de suas xilos que lembram a forma de um narciso seria como ter uma gravura modernista olhando para você a cada vez que abre um livro.
Este texto foi originalmente publicado no jornal "The New York Times", em 21/10
O vienense Otto Neurath fez história no design gráfico ao criar um sistema de símbolos com o objetivo de revolucionar o entendimento entre povos e instituições
Por que desenhar uma insígnia pode chegar a cifras de sete algarismos? Porque os logotipos são mais que meras marcas de identificação. São ícones sagrados

terça-feira, 11 de outubro de 2011

PRECE :: Helena Kolody, Paisagem Interior, 1940:.


PRECE
Concede-me, Senhor, a graça de ser boa,
De ser o coração singelo que perdoa,
A solícita mão que espalha, sem medidas,
Estrelas pela noite escura de outras vidas
E tira d’alma alheia o espinho que magoa.
(Helena Kolody, in Paisagem Interior, 1941)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Os sonhos utópicos e descivilização na Sibéria de Stalin


O caso Nazino foi a deportação e morte em massa de cerca de 4.000 pessoas na ilha Nazino na União Soviética em 1933. A pequena ilha isolada da Sibéria Ocidental está localizado a cerca de 800 km ao norte de Tomsk, na Alexandrovsky District, Tomsk Oblast perto da confluência dos rios Ob e Nazina.Ele é chamado de "Ilha Dead" ou "Ilha Cannibal" porque cerca de 4.000 dos 6.000 Soviéticos "colonos especiais" morreram lá durante o verão de 1933, após serem abandonado com farinha só para comida e pouca roupa ou abrigo.

A história da repressão stalinista há muito tempo despertou o interesse de estudiosos e do público em geral, resultando em inúmeros livros e artigos sobre o tema. Ilha Cannibal Nicolas Werth, uma versão expandida de uma das contas mais vívidas de desumanidade comunista de O Livro Negro do Comunismo, que Werth co-autor, constitui uma valiosa adição recente a essa literatura. [1] Nesta monografia curta, que se concentra sobre o caso Nazino particularmente mortal de 1933, Werth revela o horror da fome artificial; coletivização forçada; dekulakization; prisões infundadas causada pela massa, prisões indiscriminadas polícia; campos de trânsito, e os "assentamentos especiais" da Sibéria ocidental. Adequado tanto para especialistas eo público educado tanto, Ilha Cannibal permanece como testemunho para as falhas fatais do sistema no início stalinista.

A história primordial da Ilha Cannibal é um grande projeto realizado pela liderança soviética de enviar centenas de milhares de pessoas, incluindo elementos déclassé arredondado em Moscou e Leningrado por violar o regime novo passaporte interno, condenados libertado da prisão para reduzir a superlotação, que kulaks tinha escapado a rodada anterior de dekulakization, e outros elementos socialmente indesejáveis, como colonos especiais para o oeste da Sibéria. Siberian líderes locais, já sobrecarregado com o enorme número de deportados enviados para lá nos anos anteriores, protestou contra a população continuou a sua terra com deportados da Rússia européia. Compreensivelmente, eles procuraram evitar que a região se torne uma espécie de lixo social pode para toda a União Soviética, protestando que não seria capaz de alimentar, abrigar, ou empregar outra afluência maciça de colonos. Em última instância, os seus pedidos ajudou a reduzir o plano de deportação de um milhão de pessoas para 500 mil (que foi posteriormente reduzida ainda mais), mas, em contrapartida, as agências de planejamento central reduziu a quantidade de acompanhamento de dinheiro e outros recursos alocado para ajudar a estabelecer os colonos, e os entregou vários meses após os deportados chegou. Como Werth astutamente aponta, nem funcionários, nem centrais locais sabia o que fazer com indesejáveis ​​social do país, mas desde que Moscou finalmente impôs a sua vontade sobre as províncias, oeste da Sibéria acabou impotente para parar o fluxo de deportados. Como segredo cabeça polícia Genrikh Iagoda relatou a Stalin, "nós certamente não vai encontrar em qualquer lugar do país mais adequado para essas pessoas" do noroeste da Sibéria (p. 107). Esta declaração de um expõe a própria essência do sistema Gulag como o meio para garantir o isolamento da sociedade soviética de seus desajustados e descontentes [2].

Das massas socialmente indesejáveis ​​enviados para além dos Urais, em 1933, Werth se concentra principalmente no 6.200 ou assim praticamente deixou para se defenderem sozinhos em uma ilha remota no rio Ob perto da aldeia de Nazino. Quem eram essas almas infelizes tão rapidamente enviados para colonizar a wilds desabitada da Sibéria? De acordo com os arquivos de pessoal desenterrado por Werth, este grupo incluía, entre inúmeros outros, um membro do partido encontrado na rua sem o seu cartão do partido, um trabalhador cigarros documentado compra sem o seu passaporte, um número de inválidos, um 103-year-old homem, uma mulher grávida de um oficial naval que tinha o passaporte na mão no momento da prisão, e uma menina de 12 anos de espera numa estação de trem, enquanto sua mãe comprou pão.De fato, os colonos Nazino representou uma seção transversal ampla da sociedade urbana, que incluía não apenas socialmente indesejáveis ​​criminosos e vagabundos, mas também crianças comuns, trabalhadores e pensionistas, nenhum dos quais tinha as habilidades necessárias para a criação de um novo assentamento agrícola no oeste da Sibéria. No entanto, eles estavam todos embalados sem a menor cerimônia em vagões de trem e deportados como colonos especiais, negou uma data no tribunal e até mesmo uma oportunidade de contato com familiares ou amigos durante a sua breve estadia na prisão. Aqueles que sobreviveram à viagem para o Trânsito de Tomsk acampamento foram rapidamente enviados para os vários locais escolhidos como assentamentos especial. Fracos da jusante de cinco dias jornada do acampamento de trânsito, durante o qual eles receberam praticamente nenhuma comida, os colonos receberam apenas farinha para misturar com a água do rio, uma vez que chegou e rapidamente sucumbiu à desnutrição resultante e disenteria. Roupa insuficiente e uma completa falta de abrigo contribuiu ainda mais para sua situação.Os poucos funcionários mesquinhos e guardas designados para a liquidação atuou como tiranos nas condições anárquicas perto da ilha, extorquindo rações de comida escassa e roupas dos colonos, batendo sem motivo algum, e tiro os outros por esporte.Sem outras fontes de alimento na ilha, alguns dos colonos indefesos começou primeiro devorando o crescente número de cadáveres, então assassinar seus colegas colonos, de modo a consumir a sua carne e órgãos internos. Fontes Werth ilustram esses eventos em detalhe, refrigeração grotesco, deixando pouco espaço para a imaginação. Não surpreendentemente, as autoridades locais primeira demitido relatos de canibalismo no assentamento, então explicou que não como um produto de fome aguda, mas como resultado de degenerar indivíduos ", canibais por hábito" (p. 140).Devido à doença, a fome ea brutalidade, tanto de seus bispos e seus companheiros de prisão, como muitos como dois terços dos colonos especiais em Nazino morreu em questão de semanas antes que o restante foram transferidos para outros, apenas um pouco mais hospitaleiro, sites na área. Uma comissão enviada para investigar o caso Nazino concluiu que as autoridades locais eram os culpados pelas mortes de milhares de pessoas, submetendo vários expulsão do partido, prisão e até três anos de prisão.

A lição mais importante ganhou da leitura Ilha Cannibal, um que Werth drives casa em quase todas as páginas, é a futilidade e falha de planejamento na União Soviética.Embora esta conclusão foi alcançada por inúmeros outros, melhor do que outros Werth demonstra o número de vítimas humanas que resultou especialmente da incapacidade por parte dos administradores soviéticos para conceber, coordenar e executar planos viáveis ​​sem alterá-los em uma base semanal ou mesmo diariamente. Ele destaca a velocidade com que os órgãos de repressão da União Soviética concebeu e realizou o plano de deportação de 1933, a desorganização inevitável que resultou, e as conseqüências desastrosas que se seguiram. Como um memorando interno Gulag corretamente assinalou, "todas as operações devem ser perfeitamente coordenada, a fim de evitar pontos de estrangulamento" (p. 87). Em ambientes industriais, gargalos traduzido em enorme desperdício em termos de bens estragados e de trabalho ociosas, mas nos pontos de estrangulamento Gulag tão facilmente traduzido em perdas humanas. Assim, os colonos Nazino foram enviados a partir do campo de trânsito Tomsk descendo o rio Ob, sem roupas, alimentos ou suprimentos, em parte devido à oferta gargalos que impediam o seu próprio equipamento.Mas mesmo evitando gargalos poderia levar a uma perda de vidas humanas. De fato, a deportação Nazino foi expulso de forma apressada sem abastecimento para que o Tomsk campo de trânsito não se transformar em um gargalo no fluxo de capital humano de oeste para leste.

Werth conclui que a União Soviética "onipresente, cultura número invasivo" (p. 173), alimentada pela fé na ciência e do progresso, levou a sonhos utópicos, mas uma realidade distópica. Mas mais do desastroso resultados econômicos e demográficos, argumenta Werth, o stalinismo, em sua luta desesperada para o progresso instante, produziu "um ninho de toda a arcaísmos", na esfera social. Esta tendência, antimoderno decivilizing do stalinismo é evidente na insensibilidade e até mesmo a violência das relações humanas, que transformou os deportados "para animais" (p. 180). Mas também encontrou expressão na série de heartless funcionários e guardas que aceitaram as taxas de mortalidade extraordinário como parte do processo de construção do Estado grande ou ativamente levantou a contagem de corpos, basta fotografar deportados uncooperative à vista. Werth expressa pouca simpatia pelos autores dos crimes registrados em seu livro, uma posição que o coloca em conflito com outros, incluindo muitos memorialistas da repressão estalinista, que adoptar uma abordagem mais apologético [3].

Nos capítulos cronológicos que antecedem sua discussão sobre o assunto Nazino, Werth oferece uma riqueza de informações básicas sobre as ações da polícia do Estado soviético, incluindo a coletivização, dekulakization, confisco de grãos forçado eo passportization da sociedade urbana, que define o deportação de 1933 e seus resultados desastrosos num contexto de violência do Estado incompetente. Mas o autor também expõe a violência eo primitivismo da sociedade Siberian em geral durante este período ", onde todos estavam armados, onde a vida humana tinha quase nenhum valor, e onde os seres humanos ao invés de animais foram, por vezes, caçados" (p. 178). Com base na definição weberiana clássica do Estado, Werth, portanto, conclui que o poder soviético foi, de fato, fraco na Rússia asiática. Embora pareça contraditório, dada a ações de mão pesada do Estado apresentado em 1930, o argumento implícito parece ser que o Estado era forte o suficiente para impor seus planos grandiosos para a região, mas não forte o suficiente para executá-los corretamente.

No epílogo, Werth tenta contextualizar o desastre Nazino como parte do Grande Terror e mais amplo sistema Gulag. No contexto do Grande Terror, ele descobre que a deportação 1933 representou um passo sucessivo em "campanhas e práticas policiais que haviam sido realizadas há anos e tinha-se tornado cada vez mais radical" que antecederam a 1937 (p. 190). Isto ecoa o argumento de Paul Hagenloh que o Terror constituído em grande parte, "o culminar de uma radicalização de uma década de policiamento prática contra o" reincidente "criminosos, marginais sociais, e toda sorte de indivíduos de classe baixa." [4] No contexto do sistema Gulag, o autor acha que o caso Nazino em particular resultou em uma moratória virtuais em assentamentos especiais e uma preferência correspondente para campos de trabalho forçado.Infelizmente, porém, o autor deixa de mencionar que tão brutal como o Gulag foi na década de 1930, o caso Nazino não deve ser considerada representativa da experiência de Gulag, mas sim, ela ilumina o extremo de uma gama de possibilidades no sistema soviético dejustiça criminal que foi reconhecidamente justo nem preocupado somente com os criminosos.Primeiro, os presos do Gulag colocados em presídios e colônias de trabalho corretivas geralmente se saíram melhor do que aquelas enviadas para campos de trabalho corretivas e assentamentos especial.Mesmo entre estes últimos, a liquidação Nazino desastrosa pode de modo algum ser considerada típica. Segundo, observou o historiador Gulag Oleg V. Khlevniuk recentemente descobriu que o ano de 1933 constituiu uma anomalia para o sistema penal soviético no início até meados da década de 1930, em grande parte devido à fome que produziu casos de fome e canibalismo semelhantes aos encontrados emNazino em muitos "free" assentamentos da Ucrânia e do sul da Rússia. Com essa exceção, ele argumenta que os prisioneiros, em geral, 1930-1936 "foram relativamente bem-off e livre", em comparação com aqueles que sofreram a brutalidade muito maior e sistematizadas durante o auge do Grande Terror em 1937-1938 e fome generalizada durante a Primeira Guerra Mundial II [5].

As fontes utilizadas para a Ilha Cannibal são impressionantes em muitos aspectos, dois dos quais se destacam especialmente. Primeiro, o autor faz uso sem precedentes de documentos da FSB central [Serviço Federal de Segurança] arquivo, a caixa de domínio praticamente inacessíveis os documentos da polícia secreta soviética. Esses documentos trazem uma profundidade para a história de que seria impossível conseguir confiar apenas em fontes publicadas e os arquivos mais acessível da Rússia. Segundo, em sua análise detalhada dos registros de trânsito, Werth expõe como os registros de mortalidade Gulag durante a década de 1930 eram quase certamente subestimado. Trainloads inteira de prisioneiros chegou ao campo de trânsito Tomsk sem documentos e sem nem mesmo uma lista de nomes; aquelas almas que morreram sem nome em rota continuou sem nome e incontáveis ​​em morte.A possibilidade para esta inconsistência tem sido observado anteriormente por outros estudiosos, mas meticulosamente Werth demonstra que isso realmente ocorreu, que era generalizado, e que os números envolvidos eram, de fato, significativa.

Mas, apesar de Ilha Cannibal conta uma história importante e envolvente dolorosamente recriada a partir de documentos burocráticos e contas de memórias, ele ignora a volumosa literatura secundária sobre o regime de passaporte interno, a força policial, a coletivização, dekulakization, assentamentos especial, o Gulag, em geral, econômico soviético planejamento, e assim por diante. Não há discussão sobre a historiografia animada desses assuntos, e referências a obras fundamentais são escassos na melhor das hipóteses. Esta é, em parte devido a um público mais amplo do que destina uma monografia tradicional histórico, mas Werth poderia ter incluído informações mais historiográfico em sua notas para consumo acadêmica, deixando o texto livre para o público leitor.

Em seu uso de fontes de dentro do texto, Werth depende citações freqüentes e extensos, tanto memórias e documentação oficial, aderindo firmemente ao princípio de permitir que as fontes falam por si. Com tal um conto horrível dizer isso parece uma estratégia adequada, embora em partes talvez seja exagerado. Ele também tenta preservar o idioma usado pelas vítimas e algozes tanto por aspersão sua própria prosa com palavras de passagens citadas anteriormente, o que beira o ridículo, no entanto, quando tais palavras comuns como "estoques de sementes", "teoria", "congestão, "e outros são inexplicavelmente preservados nas cotações. Além disso, em apenas dois exemplos que ele dá a versão original russo destes termos-chave preservada entre aspas em seu texto. Em uma nota mais pequena, a lista de abreviaturas está faltando algumas entradas (NEP, Siblag), e os editores permitidos vários erros de digitação nas notas.

Enquanto algumas das histórias de terror desde o Gulag soviético, eventualmente, se provou falsa, nomeadamente o naufrágio do navio Dzhurma com milhares de prisioneiros com destino a Kolyma, muitos outros desde a abertura dos arquivos soviéticos foram ainda mais iluminada com a documentação de arquivo. [6] Ilha Cannibal recai dentro desta segunda categoria. Como Werth magistralmente tece seu conto de utopia e canibalismo, o leitor é confrontado com inúmeros exemplos de planos de assentamento irremediavelmente otimista, instruções contraditórias, números manipulados, a coordenação entre as organizações interessadas escassa, uma carência gritante de recursos prometidos, fazendo ad hoc decisão, e os pobresexecução de ordens, que produziu funcionários exasperado cima e para baixo da hierarquia soviética e cadáveres cima e para baixo do rio Ob. Em suma, este estudo de caso notável de disfunção e terror faz uma contribuição valiosa para a nossa compreensão do estalinismo.

Em 1988, no momento da Glasnost na União Soviética, os detalhes do caso Nazino tornou-se disponível ao público em geral através dos esforços do Memorial grupo. [20]
Em 1989, uma testemunha ocular relatou ao Memorial: [21]
Eles estavam tentando escapar. Eles nos perguntaram: "Onde está a estrada de ferro?" Nunca tinha visto uma estrada de ferro. Eles perguntaram: "Onde está Moscovo? Leningrado?" Eles estavam pedindo as pessoas erradas: nunca tinha ouvido falar desses lugares. Estamos ostiaks.As pessoas estavam fugindo fome. Eles receberam um punhado de farinha. Eles misturaram com água e bebeu e, em seguida, eles imediatamente tem diarréia. As coisas que vi! As pessoas estavam morrendo em todos os lugares, pois eles estavam matando uns aos outros .... Na ilha havia um guarda chamado Kostia Venikov, um jovem. Ele estava cortejando uma bela garota que tinha sido enviado para lá. Ele protegeu ela. Um dia ele teve que ser afastado por um tempo, e ele disse a um dos seus camaradas: "Cuide dela," mas com todas as pessoas de lá o camarada não poderia fazer muito mais .... Pessoas apanhadas a menina, a amarraram em uma árvore de álamo, cortou os seios, seus músculos, tudo o que podiam comer, tudo, tudo .... Eles estavam com fome, eles tinham que comer.Quando Kostia voltou, ela ainda estava viva. Ele tentou salvá-la, mas ela havia perdido muito sangue.

Notas:
[1]. Stéphane Courtois, Nicolas Werth, Jean-Louis Panne, Andrzej Paczkowski e, O Livro Negro do Comunismo: Crimes, Terror, Repressão, trans. Jonathan Murphy e Mark Kramer (Cambridge: Harvard University Press, 1999), 150-155. Ilha Cannibal foi originalmente publicado como canibais L'Île aux 1933, une-deportação abandonar en Siberië (Paris: Perrin, 2006).

[2]. Para uma discussão mais recente deste tópico, ver Kate Brown, "Out of Solitary Confinamento: A História do Gulag", kritika 8, no. 1 (inverno 2007): 67-103.

[3]. Eugenia Ginzburg, por exemplo, declarou famosa que a corrupção "sistemática das almas das pessoas por meio da Grande Mentira, que se assemelhava nada tivesse conhecido antes, resultou em milhares e milhares de pessoas comuns sendo apanhados na charada. Bem, então, foram que a vingança nos de todos eles? "Eugenia Ginzburg, Within the Whirlwind, trans. Ian Boland (New York: Harcourt Brace Jovanovich, 1981), 381.

[4]. Paul Hagenloh "," Socialmente elementos nocivos e Grande Terror ", no stalinismo: Novos Rumos, ed. Sheila Fitzpatrick (London: Routledge, 2000), 286. Esta referência é, infelizmente, omitido na Ilha Cannibal.

[5]. Oleg V. Khlevniuk, The History of the Gulag: A partir de coletivização do Grande Terror, trans.Vadim A. Staklo (New Haven: Yale University Press, 2004).

[6]. O conto do Dzhurma ficar preso no gelo no Oceano Ártico 1933-1934, resultando na morte de até 12 mil prisioneiros, foi primeiramente relatada por Dallin e Nicolaevsky e tem sido repetida desde então como um excelente exemplo da terrível número de mortos tomadas pelo gulag stalinista. David Y. Dallin e Boris I. Nicolaevski, Trabalho Forçado na Rússia Soviética (New Haven: Yale University Press, 1947), 129. Desde então, foi encontrado por falsos amadores historiador Martin Bollinger, que descobriu que o Dzhurma não entrar no serviço gulag até 1935 e que nenhum navio gulag na década de 1930 enfrentou o mar do leste do Ártico. Martin J. Bollinger, Navios de Stalin Slave: Kolyma, o Fleet Gulag, eo papel do Ocidente (Westport: Praeger, 2003), 68-69.

*O historiador francês Nicolas Werth, que já co-autor de O Livro Negro do Comunismo, publicado a Ilha Cannibal livro sobre o assunto em 2006. Foi traduzido para o Inglês em 2007.



View Larger Map

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Religião Sustentável:A espiritualidade light é semelhante a uma Louis Vuitton falsa: Brega!


Recebemos, recentemente, a visita do líder religioso budista tibetano Dalai Lama. Os iniciados tiveram surtos místicos? Nada contra ele. De fato, o líder budista tem uma imagem positiva no Ocidente, ao contrário do papa Bento 16, que é visto como conservador. O Dalai Lama defende tudo que gente legal defende: o verde, a tolerância com o “outro”, um capitalismo do bem, enfim, uma religião sustentável nos termos que ocidentais que migram pra religiões orientais costumam gostar, ou seja, de baixo comprometimento religioso. Além de, nela, não ter nenhum parente chato. Uma religião sustentável é uma religião na qual ninguém tem de sustentar nada além de uma dieta balanceada, uma bike legal e um pouco de meditação durante a semana. De empresários “do bem” aos falantes da língua tibetana, muita gente correu pra ouvir essa sabedoria “estrangeira”. Religiões são sistemas de sentido. A vida, aparentemente sem muito sentido, precisa de tais sistemas. A profissão pode ser um. A dedicação aos filhos, outro. A história, a natureza, grana também serve. Enfim, muita coisa pode dar sentido a uma existência precária como a nossa, mas nada se compara a uma religião. Para funcionar, as religiões têm de garantir crenças e constranger comportamentos a partir de liturgias, mitos, exercícios de poder sacerdotais e regras cotidianas munidas de “sentido cósmico”. Você não “acessa” o sentido oferecido sem “pagar”, com a própria adesão, o pacote completo. Isso serve para o catolicismo e para o budismo, ao contrário do que pensa nossa vã filosofia “nova era”. No Oriente, o budismo é uma religião como qualquer outra, cheia de vícios e abusos. A crítica à religião no Ocidente passou pela mão de grandes pensadores. Freud disse que religiosos são obsessivos que não sobreviveram bem à falta de amor incondicional da mãe e à miserável castração do pai verdadeiro, daí creem num Deus todo-poderoso que os ama. Nietzsche identificou o ressentimento como marca dos religiosos que são todos uns covardes. Feuerbach sacou que Jesus é a projeção alienante de nosso próprio potencial. Marx acrescentou que essa alienação é concreta e que se ganha dinheiro com isso. Enfim: o religioso é um retardado, ressentido, alienado e pobre, porque gasta dinheiro com o que não deve, a saber, os “profissionais de Deus”. O que eu acho hilário é como muito “inteligentinho” acha que o budismo seja uma religião diferente das “nossas”. Ela seria sem “vícios” e “imposições”. Pensam, em sua visão infantil das religiões orientais, que dramas sexuais só afetam celibatários de Jesus e não os de Buda, e que o budismo, por exemplo, é “legal”, porque não tem a noção de pecado. O budismo ocidental que cultua o Dalai Lama é o que eu chamo de budismo light. O perfil desse budista light é basicamente o seguinte. Vem de classe social elevada, fala línguas estrangeiras, é cosmopolita, se acha melhor do que os outros (apesar de mentir que não se acha melhor, claro), tem formação superior, mora na zona oeste ou na zona de sul de São Paulo, come alimentos orgânicos (caríssimos) e é altamente orientado para assuntos de saúde do corpo (um ganancioso com a vida, claro). E, acima de tudo, acha sua religião de origem (judaísmo ou catolicismo, grosso modo) “medieval”, dominada pelo interesse econômico, e sempre muito autoritária. Na realidade, as causas da migração para o budismo light costumam ser um avô judeu opressivo, uma freira chata e feia na escola e uma revolta básica contra os pais. Em extremos, a recusa em arrumar o quarto quando adolescente ou um escândalo de pedofilia na Igreja Católica. Além da preguiça de frequentar cultos e de ter obrigações religiosas. Enfim, essas são a bases reais mais comuns da adesão ao budismo light, claro, associadas à dificuldade de ser simplesmente ateu. A busca por uma espiritualidade light é como a busca por uma marca de jeans, uma pousadinha numa praia deserta no Nordeste ou um restaurante de comida étnica da moda. A espiritualidade do budismo light é semelhante a uma Louis Vuitton falsa. Brega!

*Religião Sustentável:Por Luiz Felipe Pondé

domingo, 25 de setembro de 2011

Anatomia do Ego :: Marcelo Leite

CIÊNCIA

Anatomia do ego

O cérebro decifrado por Damásio e Nicolelis

RESUMO
Dois neurocientistas compõem retratos do cérebro como um órgão ainda mais complexo e maleável do que se pensava: enquanto o brasileiro Miguel Nicolelis busca implantes cerebrais para tentar fazer paraplégicos andarem, o português António R. Damásio quer ir mais longe e descobrir os mistérios da consciência.

EM CONDIÇÕES NORMAIS, seria descabido citar numa mesma resenha o último livro do português António R. Damásio e o do brasileiro Miguel Nicolelis. A primeira obra de divulgação de Nicolelis, "Muito Além do Nosso Eu", é um bom trabalho. Damásio, por sua parte, escreveu mais uma obra-prima: "E o Cérebro Criou o Homem".
Há muitas razões para reuni-los, e não só pelo fato de ambos terem o português como língua materna e escreverem em inglês. Damásio e Nicolelis são exemplos excepcionais de pesquisadores da periferia que venceram na arena mais sangrenta da ciência mundial, os Estados Unidos. Confirmam, com isso, a regra de que emigrar é o primeiro passo na senda do sucesso e da fama em ciência natural.
Nicolelis tornou-se uma celebridade no Brasil. "Voltou" ao país para fundar o Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), na periferia da periferia -voltou entre aspas, pois seu domicílio principal ainda é Durham, na Carolina do Norte, onde detém cátedra na Universidade Duke.
Tem bom trânsito na cúpula petista. Leva plateias às lágrimas quando promete o pontapé inicial da Copa de 2014 por um brasileirinho paraplégico metido num exoesqueleto. Protagonizou o mais rumoroso rififi da pesquisa nacional em tempos recentes: um racha no embrionário IINN-ELS, que levou à migração de seus principais cientistas para a Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
A boa surpresa é que Nicolelis, entre tantas idas e vindas, produziu um livro interessante, culto e informativo. Não sem problemas, como tudo. E eles começam pelo subtítulo: "A nova neurociência que une cérebro e máquinas e como ela pode mudar nossas vidas".

PENSAMENTO SÍMIO Nicolelis notabilizou-se como pesquisador porque seu grupo conseguiu fazer macacos moverem robôs "só com a força do pensamento": microeletrodos inseridos no cérebro do animal amostram sinais elétricos que, interpretados por computadores, reproduzem nas máquinas movimentos harmoniosos comandados pelo símio.
É uma façanha e tanto. Pode não ser suficiente para ganhar um Nobel -o tempo dirá. E por certo é insuficiente para funcionar como princípio explicativo da "nova neurociência", que mal começa a orientar-se no labirinto da malfadada dicotomia mente-cérebro. Serve, contudo, como fio condutor de uma história cativante.
Para fazer funcionar e para explicar os feitos de seu aparato biônico, Nicolelis toma partido em favor dos "distribucionistas" de Thomas Young [1773-1829], contra os "localizacionistas" de Franz Joseph Gall [1758-1828]. Ou seja, o cérebro não se reduz a um mosaico de módulos especializados (visão, tato, linguagem etc.), muito menos a uma coleção de neurônios correspondentes a objetos únicos.
Opera mais como uma orquestra: timbres, sons, notas e ritmo compõem o concerto de vozes e naipes que constitui uma sinfonia.
"Muito Além do Nosso Eu" [trad. Miguel Nicolelis, 552 págs., R$ 39,50] se abre com uma bela narrativa sobre música, conhecimento e ciência, a partir de um episódio vivido pelo autor quando ainda estudante na Faculdade de Medicina da USP.
A homenagem ao mentor César Timo-Iaria convoca a ópera "Parsifal", de Richard Wagner, para introduzir o funcionamento do cérebro como um processo sinfônico. Cada sucessão de pensamentos, percepções, imagens ou ordens motoras corresponde à ativação (disparos simultâneos) de populações de neurônios em diversas partes do órgão.
À metáfora operística segue-se a política: populações podem produzir eventos espantosamente coordenados, como o comício do movimento Diretas Já em 16 de abril de 1984, na praça da Sé paulistana.
De analogia em analogia, a narrativa de Nicolelis flui sem maiores impedimentos (a não ser por tropeços aqui e ali, como uma anedota deslocada sobre o tenor italiano Enrico Caruso e o presidente americano Ted Roosevelt). Quase leva o leitor a esquecer que está diante, ainda assim, de uma árida aula de neuroanatomia e neurofisiologia.

MOTOR CENTRAL Lição enviesada, porém. Em que pese o esforço perceptível de oferecer visão abrangente do funcionamento do cérebro, Nicolelis não chega a compor uma explicação da mente conciliável com a experiência interior de quem o lê -e que busca na literatura de divulgação sobre neurociência justamente a oportunidade de ir um pouco além do próprio eu.
Tudo, no livro, acaba girando em torno do tema da motricidade, que afinal é a área de especialidade do pesquisador da Duke. A concepção de um cérebro não compartimentado e plástico (em constante adaptação), mesmo que em perfeita sintonia com a neurociência contemporânea, serve a um propósito mais pragmático que elucidativo: promover o programa de pesquisa de Nicolelis como a revolução que (ainda não) é.
Tendo demonstrado e utilizado experimentalmente a incorporação de objetos exteriores (instrumentos, próteses, robôs) ao esquema mental do organismo primata, o autor parece encará-la como princípio organizador e até como razão de ser do cérebro.
"Acredito que essa fome do cérebro por incorporar ferramentas abrirá um novo capítulo na evolução", escreve, "oferecendo-nos meios de estender nossos corpos, alcançando talvez a imortalidade, de uma maneira muito particular: preservando nosso pensamento para a posteridade."
Em lugar de morte cerebral, vamos todos um dia brindar o "upload" de nossos egos numa máquina. Pode ser. Mas isso está muito além -demasiado além- do nosso eu, aqui e agora, em geral atormentado por coisas menos devastadoras que paralisia, cegueira ou surdez, como lembranças ruins, compulsão por comida ou drogas, depressão.
Damásio prefere andar para trás, no passo da evolução por seleção natural, o que lhe permite alcançar explicações a um só tempo mais modestas e mais portentosas. Seu olhar é retrógrado, e sua engenharia, reversa. O subtítulo de seu livro, em inglês, trai o escopo ambicioso: "Construindo o cérebro consciente" -já o título inspirado, "Self Comes to Mind", foi vertido pela editora brasileira como um pobre "E o Cérebro Criou o Homem". O livro chega no final de outubro às livrarias brasileiras, pela Companhia das Letras [trad. Laura Motta, 416 págs., R$ 49].

BRAÇOS-FANTASMAS Curiosamente, os dois autores dedicam muitas páginas e um lugar central nas respectivas obras ao intrigante fenômeno neurológico dos membros-fantasmas (e a maneira ainda mais intrigante de tratá-lo, com uma caixa de espelhos). Pessoas amputadas não só podem manter a percepção de membros perdidos como experimentar sensações concretas nele, por exemplo coceira e dores lancinantes. (Um terceiro livro, "Proust Foi um Neurocientista - Como a Arte Antecipa a Ciência", do jornalista americano Jonah Lehrer, também se debruça sobre essas e outras fantasmagorias, como a concepção de memória do escritor francês, e propicia leitura bem mais leve.)
Seria um fiasco tentar reproduzir aqui, em poucas linhas, a complexidade do distúrbio e da cura; além disso, iria desmanchar parte do prazer do leitor de Nicolelis e Damásio. Basta dizer que os membros-fantasmas dão testemunho da refinada capacidade do cérebro de mapear e monitorar, a todo instante, estado e posição de cada parte do corpo. Mais ainda, uma capacidade de sintetizar a miríade de sensações e informações que permitirá a emergência evolutiva de um "self" e depois de um "eu autobiográfico".
Em biologia, recorda Damásio, não existe lugar para dicotomias como corpo/mente. Há que entender o contínuo de complexidade que evolui dos automatismos do sistema nervoso de uma medusa e passa por vários graus de "senciência" (como diria o bioeticista Peter Singer) até a barroca mescla de imagens, memórias e conceitos que caracteriza a consciência.
Na sua versão completa, esta faculdade superior só existe em humanos, mas é fácil reconhecer seus componentes e precursores em outros primatas, cães e golfinhos, entre outros.

CORPO X MENTE Na base de todos os fenômenos mentais está a sobrevivência, ou o que o pesquisador português chama de regulação homeostática (equilíbrio do organismo com o meio). Neurônios são células especiais, porque seu metabolismo propicia reter, transmitir e processar informação, mas nem por isso deixam de ser células e de ter metabolismo. A mente só faz sentido e só pode funcionar na companhia de um corpo que sente, reage e atua. O valor fundamental é biológico; mesmo quando a consciência e a cultura emergem, sua meta é a de uma vida melhor (ou deveria ser).
O bonito da obra de Damásio está em apontar o correlato dessa perspectiva unicista -cuja inspiração ele busca em Baruch Spinoza [1632-1677], contra René Descartes [1596-1650]- na própria anatomia conectiva do cérebro e na arquitetura da mente, que para ele remontam ao mesmo. O pensamento nasce ele próprio corporal, fibroso.
O "self" mais primitivo se compõe de meras "disposições", aquilo que o corpo sente na presença de certos objetos e situações, disposições essas integradas por meios das estruturas mais antigas do cérebro, como o tronco cerebral e o hipotálamo. A elas vão se somando, sobretudo na evolução dos mamíferos, funções mais complexas como imagens (representações detalhadas de objetos por redes de neurônios no córtex cerebral), sentimentos (representações de emoções) e memória (recuperação de representações), às quais Damásio vai correlacionando estruturas e redes de estruturas encefálicas.

MARCAS INESQUECÍVEIS Surge para os olhos da mente do leitor, aos poucos, um modelo -complicado e conjectural, mas um modelo- sobre como opera seu próprio cérebro. Nesse modelo, o "eu" mais primitivo das disposições não desaparece nem é relegado a funções subalternas.
Ao contrário, constitui uma peça-chave na capacidade de recuperar memórias e integrá-las na narrativa coerente, ou quase, que articula o que se poderia chamar de "eu consciente" (ou autobiográfico). Sem esse "self nuclear", seríamos incapazes de orientar nossa conduta no mundo com base num conjunto de imagens interiores.
Para Damásio, as emoções mais fundamentais associadas com os objetos e acontecimentos permanecem como as marcas que permitem reativar os circuitos de neurônios corticais que representam esses objetos e acontecimentos. O fio da meada, por assim dizer. É mais prudente aqui dar a palavra ao próprio autor, sob pena de empobrecer sua prosa esclarecedora:
"[...] as fundações do processo de consciência são os processos inconscientes a cargo da regulação da vida -as disposições cegas que regulam funções metabólicas e estão alojadas nos núcleos do tronco cerebral e do hipotálamo; as disposições que oferecem recompensa e punição e promovem impulsos, motivações e emoções; e o aparato mapeador que fabrica imagens, na percepção e na recordação, e que pode selecionar e editar tais imagens no filme conhecido como mente. A consciência é só a última a chegar para o gerenciamento da vida, mas leva todo o jogo uma etapa adiante. Espertamente, ela mantém os velhos truques à mão e deixa que eles façam o trabalho mais pesado".
Nesta altura, com a entrada em cena do tema do inconsciente, o leitor já estará pensando em Sigmund Freud ou no tópico não menos abrasador da responsabilidade moral. Não são poucos os que, movidos talvez pela dificuldade de manter as rédeas do próprio "self", cedem à compulsão de gritar "fogo" no inseguro edifício civilizatório, quer dizer, arriscam lançar a questão subversiva: se o que tomamos por decisões e comportamentos conscientes são no fundo ditados por disposições inconscientes, como exigir a responsabilização de qualquer sujeito por seus atos?

ILUSÃO DE ÉTICA Damásio não foge da dificuldade, e sua resposta vem dura e brilhante: a consciência não é um epifenômeno inútil ou manifestação ilusória da complexidade cerebral. Quem assim pensa se esquece de que o aparente automatismo das disposições inconscientes é também ele produzido e canalizado pelo histórico de decisões, emoções e ações que constituem o eu autobiográfico.
"Comportamentos morais são um conjunto de habilidades adquirido no curso de repetidas sessões de prática e ao longo de muito tempo, informado por princípios e razões conscientemente articulados e, no mais, inscrito como 'segunda natureza' no inconsciente cognitivo", ensina o autor.
Estamos aqui, já se vê, muito além das máquinas e dos determinismos -de volta à intricada anatomia do ego. Embora Nicolelis também extraia da neurociência uma mensagem de libertação e transcendência, ele a terceiriza para a tecnologia: máquinas conectadas ao cérebro rebentarão os grilhões que ainda ancoram o humano no animal.
Apesar de todo o seu patriotismo progressista e futebolístico, Nicolelis resulta pouco brasileiro na sua expectativa prometeica e tecnocientífica. O Brasil, mais afeito aos atalhos do jeitinho do que à disciplina laboriosa do conhecimento sistemático, precisa de mais cientistas e divulgadores como ele ou Marcelo Gleiser. Gente capaz de pôr na ordem do dia e no imaginário das pessoas, pela força do exemplo de sucesso no exterior, coisas tão complexas quanto a neurofisiologia e a física.
A neurociência propriamente dita, de sua parte, carece mais de figuras ousadas como o muito português Damásio. Este nos desafia a novos descobrimentos e convoca à aventura de buscar a libertação "da tirania das respostas imediatas" do cérebro com auxílio do maior legado da natureza para a humanidade: "Talvez a capacidade de navegar o futuro nas águas de nossa imaginação, guiando a embarcação do 'self' para um porto seguro e produtivo".
A concepção do cérebro não compartimentado e plástico serve a um propósito pragmático: promover o programa de pesquisa de Nicolelis como a revolução que (ainda não) é
Damásio prefere andar para trás, no passo da evolução por seleção natural, o que lhe permite alcançar explicações a um só tempo mais modestas e mais portentosas
O Brasil, mais afeito aos atalhos do jeitinho do que à disciplina do conhecimento sistemático, precisa de mais cientistas e divulgadores como Nicolelis ou Gleiser
A neurociência mais carece de figuras ousadas como Damásio, que nos desafia a novos descobrimentos e a buscar a libertação "da tirania das respostas imediatas" do cérebro
e convoca à aventura de buscar a libertação "da tirania das respostas imediatas" do cérebro com auxílio do maior legado da natureza para a humanidade: "Talvez a capacidade de navegar o futuro nas águas de nossa imaginação, guiando a embarcação do 'self' para um porto seguro e produtivo".
A concepção do cérebro não compartimentado e plástico serve a um propósito pragmático: promover o programa de pesquisa de Nicolelis como a revolução que (ainda não) é
Damásio prefere andar para trás, no passo da evolução por seleção natural, o que lhe permite alcançar explicações a um só tempo mais modestas e mais portentosas
O Brasil, mais afeito aos atalhos do jeitinho do que à disciplina do conhecimento sistemático, precisa de mais cientistas e divulgadores como Nicolelis ou Gleiser
A neurociência mais carece de figuras ousadas como Damásio, que nos desafia a novos descobrimentos e a buscar a libertação "da tirania das respostas imediatas" do cérebro e convoca à aventura de buscar a libertação "da tirania das respostas imediatas" do cérebro com auxílio do maior legado da natureza para a humanidade: "Talvez a capacidade de navegar o futuro nas águas de nossa imaginação, guiando a embarcação do 'self' para um porto seguro e produtivo".
A concepção do cérebro não compartimentado e plástico serve a um propósito pragmático: promover o programa de pesquisa de Nicolelis como a revolução que (ainda não) é
Damásio prefere andar para trás, no passo da evolução por seleção natural, o que lhe permite alcançar explicações a um só tempo mais modestas e mais portentosas
O Brasil, mais afeito aos atalhos do jeitinho do que à disciplina do conhecimento sistemático, precisa de mais cientistas e divulgadores como Nicolelis ou Gleiser
A neurociência mais carece de figuras ousadas como Damásio, que nos desafia a novos descobrimentos e a buscar a libertação "da tirania das respostas imediatas" do cérebro e convoca à aventura de buscar a libertação "da tirania das respostas imediatas" do cérebro com auxílio do maior legado da natureza para a humanidade: "Talvez a capacidade de navegar o futuro nas águas de nossa imaginação, guiando a embarcação do 'self' para um porto seguro e produtivo".
A concepção do cérebro não compartimentado e plástico serve a um propósito pragmático: promover o programa de pesquisa de Nicolelis como a revolução que (ainda não) é
Damásio prefere andar para trás, no passo da evolução por seleção natural, o que lhe permite alcançar explicações a um só tempo mais modestas e mais portentosas
O Brasil, mais afeito aos atalhos do jeitinho do que à disciplina do conhecimento sistemático, precisa de mais cientistas e divulgadores como Nicolelis ou Gleiser
A neurociência mais carece de figuras ousadas como Damásio, que nos desafia a novos descobrimentos e a buscar a libertação "da tirania das respostas imediatas" do cérebro e convoca à aventura de buscar a libertação "da tirania das respostas imediatas" do cérebro com auxílio do maior legado da natureza para a humanidade: "Talvez a capacidade de navegar o futuro nas águas de nossa imaginação, guiando a embarcação do 'self' para um porto seguro e produtivo".
A concepção do cérebro não compartimentado e plástico serve a um propósito pragmático: promover o programa de pesquisa de Nicolelis como a revolução que (ainda não) é
Damásio prefere andar para trás, no passo da evolução por seleção natural, o que lhe permite alcançar explicações a um só tempo mais modestas e mais portentosas
O Brasil, mais afeito aos atalhos do jeitinho do que à disciplina do conhecimento sistemático, precisa de mais cientistas e divulgadores como Nicolelis ou Gleiser
A neurociência mais carece de figuras ousadas como Damásio, que nos desafia a novos descobrimentos e a buscar a libertação "da tirania das respostas imediatas" do cérebro

www.triciclopompeo.com.br

www.triciclopompeo.com.br
O Projeto FIEL (Forma Inteligente e Ecológica de Locomoção) surgiu da idéia de incorporar as vantagens de uma motocicleta, como: facilidade de manutenção, baixo consumo e agilidade, com as vantagens de um carro: conforto, segurança e espaço, em um veículo apenas.