segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O que seremos no futuro?


Acabo de assistir uma palestra do inventor e futurista Ray Kurzweil, que está passando uns dias na minha universidade nos EUA. Kurzweil ficou famoso por suas várias invenções, desde sintetizadores que podem simular sons de piano e outros instrumentos, até um software para cegos que transforma texto em voz. Escreveu vários best-sellers, onde explora como o avanço exponencial da tecnologia transformará profundamente a sociedade, redefinindo não só o futuro mas a própria noção do que significa ser humano.Segundo Kurzweil, a revolução não só já começou como avança rapidamente em direção a um ponto final, "a Singularidade", quando máquinas e seres humanos formarão uma aliança que poderá nos tornar seres super-humanos. Ele prevê que chegaremos lá em 2045.Segundo Kurzweil, em 2020 computadores serão poderosos o suficiente para simular o cérebro humano. Baseando seus argumentos numa lei empírica chamada "Lei dos Retornos Acelerados", em 25 anos o progresso da internet, a velocidade de processamento de dados, o acesso a bancos de dados, criarão tecnologias bilhões de vezes mais poderosas do que as que temos hoje. Por exemplo, os computadores da década de 70 eram um milhão de vezes mais caros e mil vezes menos eficientes do que o que temos hoje em nossos celulares, totalizando um aumento de bilhões de vezes em eficiência de computação por real. Ele prevê que em 2029 teremos entendido o funcionamento do cérebro humano, ao menos o suficiente para simularmos seu funcionamento em computadores que, à esta altura, serão bem mais poderosos do que nossos cérebros.
A singularidade, no caso da física dos buracos negros, de onde Kurzweil tomou sua inspiração, é um ponto além do qual não sabemos o que pode ocorrer. É onde as leis que usamos para descrever as propriedades da matéria, do espaço e do tempo deixam de fazer sentido. Isto não significa que é impossível compreender a singularidade, mas apenas que não temos as ferramentas teóricas para fazê-lo.Já no caso da inteligência artificial, fica bem mais difícil prever o que poderá ocorrer. Toda tecnologia pode ser usada para o bem ou para o mal. Se, como Kurzweil, somos otimistas e vemos que a humanidade, em média, tem se beneficiado com o avanço tecnológico (vivemos mais e matamos melhor; mas matamos menos), a singularidade trará uma nova era na evolução da inteligência, onde o corpo será supérfluo: o que importará será a informação que nos define. Afinal, somos matéria arranjada segundo um plano, e este plano é uma sequência de instruções, ou seja, um programa.Se podemos armazenar estas instruções, em princípio podemos recriá-las em qualquer máquina, como numa realidade virtual superavançada. Imagine um personagem do videogame Sims que é tão sofisticado que se considera vivo. Seremos ele. A realidade, tal qual a percebemos, pode ser simulada; basta mais informação, mais detalhes, mais velocidade de processamento. Se é este o nosso futuro, é bom começarmos a pensar nas suas várias consequências. E nos certificar que nossa informação terá um backup que não falhará ou poderá ser destruído por forças malignas.:

Marcelo Gleiser é professor de física e astronomia do Dartmouth College, em Hanover (EUA). É vencedor de dois prêmios Jabuti e autor, mais recentemente, de "Criação Imperfeita". Escreve aos domingos na versão impressa de "Ciência".

2 comentários:

Alfeo Viero Filho disse...

A revolução não só já começou como avança rapidamente em direção a um ponto final, "a Singularidade", quando máquinas e seres humanos formarão uma aliança que poderá nos tornar seres super-humanos. Ele prevê que chegaremos lá em 2045. É possível experimentar muita intensidade por meio das ideias, mas acontece que essa experiência não poderia ser compartilhada e, por isso, essa intensidade logo seria frustrante e decepcionante.hahahahaha Se a tua alma se perder,
nem sequer o que está perto poderias encontrar:. Covardia? Sabedoria? Assim como não temos o poder de julgar a realidade tampouco temos a capacidade de saber, imediatamente, o alcance de nossos erros e acertos. Melhor acalmar-se, isso sim! E com o coração mais afável perdoar a própria condição, o que seria um bom início para, também, julgar com menos severidade o mundo em que estamos inseridos. Assim, de perdão em perdão, de afabilidade em cordialidade, quem sabe conseguiremos, finalmente, criar uma onda de mudança mais eficiente do que a da mera destruição, pois a história comprova que no início a destruição parece boa e eficiente, mas que em pouco tempo acaba repetindo a mesma cena de sempre; a de os revolucionários de ontem se transformarem nos opressores de hoje. A tentação é explodir e mandar tudo ao inferno, porque pelo visto o mundo e as pessoas não dão sinais de que vão fazer algo realmente firme e positivo para as coisas caminharem pelo terreno da retidão. A tentação é chutar o pau da barraca, manifestando expressivamente o enfado de forma destrutiva, julgando e condenando a realidade simultaneamente. Afortunadamente, nenhum de nós possui tanto poder, e mesmo aqueles que se encontram próximos de tanto poder não poderiam fazer isso, dada a intrincada trama de compromissos em que se encontram amarrados. E é justamente por todos estarmos de uma ou de outra forma presos numa trama muito bem amarrada de promessas, compromissos, deveres e muitas outras coisas, que não explodimos nem chutamos o pau da barraca, pois mesmo quando o fazemos, não o fazemos com a intensidade definitiva, não usamos todas nossas armas, pois sabemos que no futuro colocaremos o rabo entre as pernas e retornaremos a nossa vida normal....eu sou normal combinado?

Alfeo Viero Filho disse...

A nova aurora é o som da lira dos conspiradores:. jejejejeje

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O Projeto FIEL (Forma Inteligente e Ecológica de Locomoção) surgiu da idéia de incorporar as vantagens de uma motocicleta, como: facilidade de manutenção, baixo consumo e agilidade, com as vantagens de um carro: conforto, segurança e espaço, em um veículo apenas.