Belos, nascidos nas periferias, são pinçados para se acasalar com pessoas mais ricas e passam a habitar centros prósperos.Compare os fregueses de shoppings populares com os de shoppings caros e você vai ter uma ideia do que é seleção artificial. Reconheço que isso deva ser difícil de ler para quem foi abduzido ao "politicamente correto". É duro constatar certos aspectos da condição humana. Mas, aqui que ninguém nos ouça, você ambicionaria que sua filha se casasse com um nanico feio, incompetente, burro e encostado? "Não me importaria, desde que ela se sentisse feliz". Está bem, então você é uma raridade da espécie.
É importante lembrar que a igualdade ambicionada pela democracia é aquela frente à lei. De resto, somos todos diferentes, e é bom que seja assim, já que vivemos com desconhecidos que precisamos respeitar e esperar que nos respeitem.
O processo de civilização democrática é o aprendizado do respeito pelas diferenças. Mas esta ambição convive com um desejo de estar cercado de "iguais", e de que nossos filhos sejam "melhores". O que nos leva a Hitler. Seu desejo de eugenia era imbecil, em termos biológicos. Formar uma raça "pura" de iguais (não importa se de arianos de olhos azuis, ou se de negros retintos, de exclusiva afrodescendência) é construir um desastre de fragilidade imunológica, é empobrecer nossas defesas e nossas aptidões, duramente conquistadas através da reprodução sexual, que mistura genes diferentes, portadores de sabedorias diversas.O projeto de Hitler beirava o incestuoso das famílias coroadas europeias. E conhecemos os frutos do incesto pelos defeitos que acumulam. Este último parágrafo revela o meu desejo de uma "eugenia boa, não imbecil". É, sou humano.
Francisco Daudt * publicado originalmente na Folha de S. Paulo 15/05/2012

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