sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Arquitetura de Fachada

*Teoria da persistência
"O inimigo avança, retiramos.
O inimigo acampa, provocamos.
O inimigo cansa, atacamos.
O inimigo se retira, perseguimos."
Mao Tsé-tung - estadista chinês

QUEM COME QUEM?
Em inglês, francês, espanhol,italiano, alemão ou japonês não existe uma expressão equivalente
a “comer”, significando relação sexual. Só emportuguês, mais especificamente “em brasileiro”.
Aqui, o macho predador não faz amor ou apenas sexo: devora a sua presa. Mas depois do feminismo, as brasileiras modernas também adotaram a expressão para suas conquistas. Surpresos e intimidados, os homens ouviram a temida e desejada ameaça: vou te comer!
Certamente esta expressão tão brasileira está emsintonia com o conceito de “antropofagia
cultural”, lançado por Oswald de Andrade em 1928 e retomado no transe de 1968. Na época, acreditamos fervorosamente que o nosso destino e vocação – desde 1556, quando o bispo Sardinha foi comido pelos caetés – era devorar a cultura colonizadora, digeri-la e transformá-la embrasileira e revolucionária. Em2008, no mundo globalizado e interligado, com as culturas
nacionais interagindo e semisturando, com a fusão de linguagens e gêneros, com os samplers, a
computação gráfica e todas as maravilhas da era da informação e das comunicações, não há nada
mais anacrônico do que a idéia de antropofagia cultural. Porque hoje qualquer cultura nacional come e é comida, querendo ou não: a “antropofagia” é inevitável e óbvia.Quanto tempo perdido teorizando sobre Villa Lobos ouTom Jobim “comendo" Bach, Debussy ou Cole Porter para produzir uma música brasileira internacional.Ou Niemeyer degustando Le Corbusier para inventar a arquitetura moderna. Ou Nelson Rodrigues mamando em Dostoievski para criar uma dramaturgia tijucana e universal. A pobre cultura nacional, provinciana e colonizada, ou “antropofágica e antiimperialista”, não tem nada com isso: os méritos são exclusivamente
do talento individual desses raros criadores nativos. Poucos acreditaram tanto nesta bobagem de “antropofagia” como eu. Levamos a sério a piada do velho Oswald, por ela aceitamos muita empulhação. Quantas vezes diverti amigos estrangeiros, embora falasse a sério, exaltando essa esdrúxula teoria como um diferencial da arte brasileira.
Como se pode ser tão bobo tanto tempo? ●

fonte: O Estado de São Paulo cortesia: Nelsom Mota

Um comentário:

Alfeo Viero Filho disse...

Teoria da persistência
"O inimigo avança, retiramos.
O inimigo acampa, provocamos.
O inimigo cansa, atacamos.
O inimigo se retira, perseguimos."
Mao Tsé-tung - estadista chinês

www.triciclopompeo.com.br

www.triciclopompeo.com.br
O Projeto FIEL (Forma Inteligente e Ecológica de Locomoção) surgiu da idéia de incorporar as vantagens de uma motocicleta, como: facilidade de manutenção, baixo consumo e agilidade, com as vantagens de um carro: conforto, segurança e espaço, em um veículo apenas.